
A frase "evolução é só uma teoria" esconde um mal-entendido. Em ciência, "teoria" não é palpite: é uma explicação testada que organiza muitos fatos, como a teoria da gravidade. Separar o que a ciência firmou do que segue em aberto ajuda o cristão a não gastar fé defendendo a colina errada.
O que está firmado e o que segue em debate
Há consenso científico amplo sobre dois pontos: a descendência comum (os seres vivos compartilham antepassados, lido nos fósseis, na anatomia e no DNA) e a idade profunda da Terra. Seguem em debate, dentro da própria ciência, questões como o peso relativo da seleção natural e do acaso no processo, e a origem da própria vida, que é um campo distinto e ainda aberto, não confundível com a evolução das espécies já existentes. A origem da consciência humana é outra fronteira em discussão.
80 Por fim, como os órgãos rudimentares, por quaisquer passos que tenham sido rebaixados à sua atual condição inútil, são o registro de um estado anterior das coisas, e foram retidos unicamente pelo poder da hereditariedade, podemos entender, na visão genealógica da classificação, por que os sistematas, ao colocar os organismos nos seus devidos lugares no sistema natural, muitas vezes acharam as partes rudimentares tão úteis quanto, ou às vezes até mais úteis do que, partes de grande importância fisiológica. Os órgãos rudimentares podem ser comparados às letras de uma palavra, ainda conservadas na grafia, mas tornadas inúteis na pronúncia, e que servem de pista para a sua derivação. Na visão da descendência com modificação, podemos concluir que a existência de órgãos numa condição rudimentar, imperfeita e inútil, ou totalmente atrofiados, longe de apresentar uma dificuldade estranha, como sem dúvida apresentam na velha doutrina da criação, poderia até ter sido prevista de acordo com as visões aqui explicadas.
Essa distinção é prática. Tratar a descendência comum como se fosse frágil deixa o cristão numa posição difícil de defender; tratar o mecanismo e a origem da vida como já resolvidos exagera o que a ciência afirma. A honestidade nos dois sentidos é o que mantém a conversa de pé.