Vida de Santo Antão 9

A biografia (séc. IV) que Atanásio escreveu do pai do monaquismo cristão: a renúncia de Antão, suas lutas com os demônios no deserto, o longo discurso sobre o discernimento dos espíritos, os milagres, os debates com os filósofos gregos e a sua morte. Um dos livros mais influentes da história do cristianismo, leitura que ajudou a converter Agostinho

E certo general, chamado Balácio, perseguia a nós, cristãos, amargamente, por causa de sua estima pelos arianos, aquele nome de mau agouro. E como a sua crueldade era tão grande que ele espancava virgens, e despia e açoitava monges, Antão, nesse tempo, escreveu uma carta nestes termos, e a enviou a ele. 'Vejo a ira vindo sobre ti; por isso cessa de perseguir os cristãos, para que a ira não te alcance, pois mesmo agora ela está a ponto de cair sobre ti.' Mas Balácio riu, atirou a carta ao chão, cuspiu nela e insultou os portadores, mandando que dissessem isto a Antão: 'Já que te preocupas com os monges, em breve irei atrás de ti também.' E não se passaram cinco dias antes que a ira caísse sobre ele. Pois Balácio e Nestório, o Prefeito do Egito, saíram para a primeira parada a partir de Alexandria, que se chama Quéreu, e ambos estavam a cavalo, e os cavalos pertenciam a Balácio, e eram os mais mansos de toda a sua cavalariça. Mas não tinham ido longe rumo ao lugar quando os cavalos começaram a empinar um com o outro, como costumam fazer; e de repente o mais manso, sobre o qual Nestório estava montado, com uma mordida derrubou Balácio, e atacou-o, e rasgou-lhe a coxa tão gravemente com os dentes que ele foi levado direto de volta à cidade, e em três dias morreu. E todos se admiraram porque o que Antão tinha predito se cumprira tão depressa.