Inácio aos Romanos 5

Carta de Inácio de Antioquia à igreja de Roma, pedindo para não ser impedido do martírio, c. 108 d.C.

Da Síria até Roma luto com feras, por terra e por mar, de noite e de dia, acorrentado a dez leopardos, isto é, a um pelotão de soldados que, mesmo quando recebem favores, se mostram ainda piores.
Mas, pelas injúrias deles, sou mais instruído [a agir como discípulo de Cristo]; "contudo, nem por isso sou justificado."
Que eu possa desfrutar das feras que estão preparadas para mim; e oro para que elas sejam achadas ávidas por se lançar sobre mim, às quais também eu incitarei a me devorar depressa, e que não me tratem como a alguns, em quem, por medo, elas não tocaram.
Mas, se elas não estiverem dispostas a me atacar, eu as obrigarei a fazê-lo.
Perdoem-me [nisto]: eu sei o que é para o meu bem.
Agora começo a ser discípulo.
E que ninguém, das coisas visíveis ou invisíveis, tenha inveja de mim, para que eu chegue a Jesus Cristo.
Que venham sobre mim o fogo e a cruz; que venham as matilhas de feras; que venham os dilaceramentos, os despedaçamentos e as deslocações de ossos; que venha o decepar de membros; que venha o esmagamento de todo o corpo; e que venham todos os terríveis tormentos do diabo: contanto que eu chegue a Jesus Cristo.