Inácio aos Romanos 4

Carta de Inácio de Antioquia à igreja de Roma, pedindo para não ser impedido do martírio, c. 108 d.C.

Escrevo a todas as Igrejas e declaro a todas que morrerei de bom grado por Deus, a menos que vocês me impeçam.
Suplico a vocês que não demonstrem para comigo uma boa vontade fora de hora.
Deixem que eu me torne alimento das feras, por meio das quais me será concedido chegar a Deus.
Eu sou o trigo de Deus, e sou moído pelos dentes das feras, para que eu seja achado pão puro de Deus.
Antes incitem as feras, para que elas se tornem o meu túmulo e não deixem nada do meu corpo; de modo que, quando eu tiver adormecido [na morte], eu não seja achado um peso para ninguém.
Então serei verdadeiramente discípulo de Jesus Cristo, quando o mundo não vir sequer o meu corpo.
Roguem ao Senhor por mim, para que, por meio desses instrumentos, eu seja achado um sacrifício a Deus.
Eu não dou ordens a vocês, como fizeram Pedro e Paulo.
Eles eram apóstolos de Jesus Cristo, mas eu sou o menor [dos crentes]: eles eram livres, como servos de Deus; mas eu sou, ainda até agora, um escravo.
Mas, quando eu sofrer, serei o liberto de Jesus Cristo, e ressuscitarei livre nele.
E agora, estando em cadeias por ele, aprendo a não desejar nada mundano ou vão.