História Eclesiástica - Livro III 38

Livro III: a dispersão e a morte dos apóstolos, a queda de Jerusalém, João em Patmos e a formação do cânon do Novo Testamento

Assim fez Inácio nas cartas que mencionamos, e Clemente em sua carta, aceita por todos, que ele escreveu em nome da igreja de Roma à igreja de Corinto. Nessa carta ele expõe muitos pensamentos extraídos da Epístola aos Hebreus, e até cita literalmente algumas de suas expressões, mostrando assim com toda a clareza que ela não é uma produção recente.
Por isso pareceu razoável incluí-la entre os outros escritos do apóstolo. Pois, como Paulo havia escrito aos hebreus em sua língua materna, alguns dizem que o evangelista Lucas, outros que o próprio Clemente, traduziu a carta.
Esta última opinião parece mais provável, porque a carta de Clemente e a aos Hebreus têm um caráter semelhante quanto ao estilo, e ainda mais porque os pensamentos contidos nas duas obras não são muito diferentes.
Mas convém observar também que se diz haver uma segunda carta de Clemente. No entanto, não sabemos que ela seja reconhecida como a primeira, pois não encontramos que os antigos tenham feito uso dela.
E certos homens, recentemente, trouxeram a público outros escritos prolixos e extensos sob o nome dele, contendo diálogos de Pedro e Ápion. Mas nenhuma menção a esses foi feita pelos antigos, pois eles nem sequer preservam o cunho puro da ortodoxia apostólica. O escrito reconhecido de Clemente é bem conhecido. Falamos também das obras de Inácio e Policarpo.