História Eclesiástica - Livro III 18

Livro III: a dispersão e a morte dos apóstolos, a queda de Jerusalém, João em Patmos e a formação do cânon do Novo Testamento

Diz-se que, nessa perseguição, o apóstolo e evangelista João, que ainda vivia, foi condenado a habitar na ilha de Patmos por causa do seu testemunho da palavra divina.
Irineu, no quinto livro da sua obra Contra as Heresias, ao tratar do número do nome do Anticristo registrado no chamado Apocalipse de João, fala assim a respeito dele:
Se fosse necessário que o nome dele fosse proclamado abertamente no tempo presente, isso teria sido declarado por aquele que viu a revelação. Pois ela foi vista não faz muito tempo, mas quase na nossa própria geração, no fim do reinado de Domiciano.
A tal ponto, de fato, floresceu naquele tempo o ensino da nossa que até escritores alheios à nossa religião não hesitaram em mencionar em suas histórias a perseguição e os martírios que aconteceram durante ela.
E eles, na verdade, indicaram o tempo com exatidão. Pois registraram que, no décimo quinto ano de Domiciano, Flávia Domitila, filha de uma irmã de Flávio Clemente, que naquela época era um dos cônsules de Roma, foi exilada com muitos outros para a ilha de Pôncia por causa do testemunho prestado a Cristo.