História Eclesiástica - Livro II 20
Livro II: a era apostólica de Tibério a Nero, com os martírios de Tiago o Justo, Pedro e Paulo
Mais uma vez Josefo, no vigésimo livro de suas Antiguidades, relata a disputa que surgiu entre os sacerdotes durante o reinado de Nero, enquanto Félix era procurador da Judeia.
Suas palavras são estas: Surgiu uma disputa entre os sumos sacerdotes, de um lado, e os sacerdotes e líderes do povo de Jerusalém, de outro. Cada grupo reuniu um bando dos homens mais audaciosos e turbulentos, pôs-se à frente deles, e sempre que se encontravam atiravam ofensas e pedras uns contra os outros. Não havia ninguém que interviesse: tudo se fazia ao bel-prazer, como numa cidade sem governante.
E era tamanha a desfaçatez e a ousadia dos sumos sacerdotes que ousavam mandar seus servos às eiras para tomar à força os dízimos devidos aos sacerdotes. Assim, viam-se morrer de fome os sacerdotes mais pobres. Dessa maneira a violência das facções prevalecia sobre toda justiça.
O mesmo autor ainda relata que, por essa época, surgiu em Jerusalém certo tipo de assassinos que, segundo ele, em pleno dia e no meio da cidade matavam quem encontravam.
Sobretudo nas festas, misturavam-se à multidão e, com punhais curtos que escondiam sob as vestes, apunhalavam os homens mais notáveis. Quando as vítimas caíam, os próprios assassinos estavam entre os que demonstravam indignação. E assim, por causa da confiança que todos depositavam neles, permaneciam sem ser descobertos.
O primeiro morto por eles foi o sumo sacerdote Jônatas; depois dele, muitos eram mortos a cada dia, até que o medo se tornou pior que o próprio mal, com cada um esperando a morte a cada hora, como numa batalha.