Confissões - Livro XIII 25
Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia
Quero ainda dizer, Senhor meu Deus, aquilo que a vossa Escritura, seguindo adiante, me adverte, e o direi sem temer. Pois direi verdades, inspirando-mo Vós, aquilo que dessas palavras quisestes que eu dissesse. Pois não creio dizer verdade por inspiração de outro que não Vós, já que Vós sois a verdade, mas todo homem é mentiroso, e por isso quem fala a mentira fala do que é seu. Logo, para que eu fale a verdade, falo do que é vosso. Eis que nos destes por alimento toda erva semeadeira que produz semente, a qual está sobre toda a terra, e toda árvore que tem em si fruto de semente semeadeira. E não a nós somente, mas também a todas as aves do céu e aos animais da terra e às serpentes; aos peixes, porém, e aos grandes monstros do mar não destes estas coisas. Pois dizíamos que por esses frutos da terra se significam, e em alegoria se figuram, as obras de misericórdia, que se prestam às necessidades desta vida a partir da terra frutífera. Tal terra era o piedoso Onesíforo, a cuja casa concedestes misericórdia, porque frequentemente confortou o vosso Paulo e não se envergonhou da cadeia dele. Isto fizeram também os irmãos, e com tal fruto frutificaram aqueles que supriram da Macedônia o que lhe faltava. Mas como ele se dói de certas árvores que não lhe deram o fruto devido, quando diz: 'Na minha primeira defesa ninguém me assistiu, mas todos me desampararam: que isto não lhes seja imputado.' Pois alimento é devido àqueles que ministram a doutrina racional pela compreensão dos divinos mistérios, e assim lhes é devido como a homens. É-lhes devido também (como à alma vivente) por se oferecerem para a imitação em toda continência. Igualmente lhes é devido como às aves, por causa das suas bênçãos, que se multiplicam sobre a terra, porque por toda a terra saiu a sua voz.