Confissões - Livro XI 1
Livro XI: o tempo e a eternidade, e o início do comentário ao Gênesis
Acaso, Senhor, sendo vossa a eternidade, ignorais o que vos digo, ou vedes no tempo aquilo que se faz no tempo? Por que, então, vos exponho a narração de tantas coisas? Não, decerto, para que por mim as venhais a conhecer, mas para despertar o meu afeto em vós, e o daqueles que leem estas coisas, a fim de que todos digamos: 'Grande é o Senhor, e mui digno de louvor.' Já o disse e o direi: 'Por amor do vosso amor é que faço isto.' Pois também oramos, e contudo a Verdade afirma: 'Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que lho peçais.' Manifestamos, portanto, o nosso afeto diante de vós, confessando-vos as nossas misérias e as vossas misericórdias sobre nós, para que nos liberteis de todo, já que começastes, a fim de que deixemos de ser miseráveis em nós mesmos e sejamos bem-aventurados em vós, pois nos chamastes a ser pobres de espírito, e mansos, e os que choram, e os que têm fome e sede de justiça, e misericordiosos, e puros de coração, e pacíficos. Eis que vos narrei muitas coisas, as que pude e as que quis, porque vós primeiro quisestes que eu me confessasse a vós, Senhor meu Deus, porque sois bom, porque para sempre é a vossa misericórdia.