Confissões - Livro V 12

Livro V: a decepção com Fausto, a viagem a Roma e a Milão e o encontro com Ambrósio

Comecei, pois, a exercer diligentemente aquilo por que viera, isto é, ensinar em Roma a arte retórica; e primeiro a reunir em minha casa alguns junto aos quais, e por meio dos quais, começava a tornar-me conhecido. E eis que conheço outras coisas que se faziam em Roma, as quais eu não sofria na África. Pois, na verdade, foi-me manifesto que aquelas reviravoltas por jovens perdidos ali não aconteciam; mas, dizem-me, de súbito muitos jovens conspiram, para não pagar o salário ao mestre, e transferem-se para outro: desertores da palavra dada, e para os quais, pelo amor do dinheiro, a justiça é coisa vil. Também a esses odiava o meu coração, ainda que não com ódio perfeito; pois talvez os odiasse mais pelo que eu havia de padecer da parte deles do que por aquilo que faziam de ilícito a qualquer um. São, no entanto, certamente torpes os tais, e fornicam para longe de Vós, amando os zombeteiros e fugazes passatempos do tempo e o lucro imundo, que, quando se apanha, suja a mão, e abraçando o mundo que foge, e desprezando a Vós que permaneceis, e que chamais de volta, e que perdoais a alma humana adúltera quando torna a Vós. E agora odeio os tais, depravados e tortuosos, ainda que os ame para serem corrigidos, de modo que prefiram ao dinheiro a própria doutrina que aprendem, e a esta a Vós, Deus, verdade e abundância do bem certo, e paz castíssima. Mas então mais não queria suportá-los maus por causa de mim, do que desejava que se tornassem bons por causa de Vós.