A Cidade de Deus - Livro VII 32

Livro VII: que os "deuses seletos" da teologia civil não conferem a vida eterna

Que em nenhum tempo do passado faltou o mistério da redenção de Cristo, mas foi sempre anunciado, ainda que sob formas diversas

Este mistério da vida eterna, desde o próprio princípio do gênero humano, foi anunciado por meio dos anjos, mediante certos sinais e sacramentos adequados aos tempos, àqueles a quem convinha. Depois, o povo hebreu foi congregado como que numa república, para celebrar este mistério; e nessa república foi predito, ora por meio de homens que compreendiam o que diziam, ora por meio de homens que não o compreendiam, tudo o que se realizou desde a vinda de Cristo até agora, e tudo o que ainda se de realizar.
Essa mesma nação, ademais, foi depois dispersa entre as nações, a fim de dar testemunho das Escrituras nas quais fora declarada a salvação eterna em Cristo.
Pois não somente as profecias contidas em palavras, nem somente os preceitos para a reta conduta da vida, que ensinam os bons costumes e a piedade e estão contidos nos sagrados escritos, não somente estes, mas também os ritos, o sacerdócio, o tabernáculo ou templo, os altares, os sacrifícios, as cerimônias e tudo o mais que pertence àquele serviço que se deve a Deus, e que em grego se chama propriamente λατρεία, todas estas coisas significavam e anunciavam de antemão aquelas coisas que nós, que cremos em Jesus Cristo para a vida eterna, cremos terem sido cumpridas, ou contemplamos em processo de cumprimento, ou cremos com confiança que ainda se hão de cumprir.