A Cidade de Deus - Livro VI 3
Livro VI: contra a teologia tripartida de Varrão e a incapacidade dos deuses de dar a vida feliz
A divisão da obra de Varrão que ele compôs sobre as antiguidades das coisas humanas e divinas
Ele escreveu quarenta e um livros de antiguidades. Estes ele dividiu em coisas humanas e coisas divinas. Vinte e cinco dedicou às coisas humanas, e dezesseis às coisas divinas, seguindo este plano naquela divisão: a saber, atribuir seis livros a cada uma das quatro partes das coisas humanas. Pois ele dirige sua atenção a estas considerações: quem realiza, onde realiza, quando realiza, o que realiza. Portanto, nos primeiros seis livros escreveu acerca dos homens; nos segundos seis, acerca dos lugares; nos terceiros seis, acerca dos tempos; e nos quartos e últimos seis, acerca das coisas. Quatro vezes seis, contudo, perfazem apenas vinte e quatro. Mas ele colocou à frente deles uma obra separada, que tratava de todas estas coisas em conjunto.
Nas coisas divinas, conservou a mesma ordem em toda parte, no que diz respeito àquelas coisas que se realizam em honra dos deuses. Pois as coisas sagradas são realizadas pelos homens em lugares e tempos. Estas quatro coisas que mencionei ele abrangeu em doze livros, destinando três a cada uma. Pois escreveu os três primeiros acerca dos homens, os três seguintes acerca dos lugares, os terceiros três acerca dos tempos, e os quartos três acerca dos ritos sagrados, mostrando, com a mais sutil distinção, quem deve realizá-los, onde devem realizá-los, quando devem realizá-los e o que devem realizar.
Mas, porque era necessário dizer, e isso especialmente se esperava, a quem deviam realizar os ritos sagrados, escreveu acerca dos próprios deuses os três últimos livros; e estes, cinco vezes três, perfazem quinze. Mas são ao todo, como dissemos, dezesseis. Pois colocou também no início destes um livro distinto, falando, a modo de introdução, de tudo o que se segue; e, terminado este, passou a subdividir os três primeiros, naquela distribuição quíntupla que pertence aos homens, fazendo o primeiro acerca dos sumos sacerdotes, o segundo acerca dos áugures, e o terceiro acerca dos quinze homens que presidem às cerimônias sagradas.
Os três segundos ele dedicou aos lugares, falando em um deles acerca de suas capelas, no segundo acerca de seus templos, e no terceiro acerca dos lugares religiosos. Os três seguintes, que vêm depois destes e pertencem aos tempos, isto é, aos dias de festa, ele os distribuiu de modo a fazer um acerca dos dias santos, outro acerca dos jogos do circo, e o terceiro acerca dos espetáculos cênicos. Dos quartos três, pertencentes às coisas sagradas, dedicou um às consagrações, outro aos ritos sagrados privados, e o último aos ritos sagrados públicos.
Nos três que restam, os próprios deuses seguem, por assim dizer, esta pomposa procissão, para os quais todo este culto foi despendido. No primeiro livro estão os deuses certos, no segundo os incertos, e no terceiro, e último de todos, os deuses principais e seletos.