A Guerra dos Judeus - Livro IV 9

Livro IV: os zelotes, Gamala e a ascensão de Vespasiano

De como Vespasiano, depois de tomar Gádara, fez os preparativos para o cerco de Jerusalém. E de como, ao saber da morte de Nero, mudou suas intenções. Também a respeito de Simão de Gérasa.

Vespasiano tinha fortificado todos os lugares ao redor de Jerusalém e erguido fortalezas em Jericó e em Adida, colocando guarnições nas duas. Parte dessas tropas era formada por seus próprios romanos e parte pelo corpo de seus auxiliares. Ele também enviou Lúcio Ânio a Gérasa, entregando-lhe um corpo de cavaleiros e um número considerável de soldados de infantaria. Lúcio tomou a cidade logo no primeiro ataque. Matou mil daqueles jovens que não escaparam pela fuga, fez cativas as famílias deles e permitiu que seus soldados saqueassem todos os seus bens. Depois disso, incendiou as casas e seguiu para as aldeias vizinhas. Os homens poderosos fugiram, os mais fracos foram mortos, e tudo o que restava acabou queimado. Agora que a guerra tinha varrido toda a região montanhosa e também toda a planície, os que estavam em Jerusalém perderam a liberdade de sair da cidade. Quem queria desertar era vigiado pelos zelotes. E quem ainda não tinha passado para o lado dos romanos era mantido dentro da cidade pelo exército romano, que a cercava por todos os lados.
Quando Vespasiano voltou a Cesareia e se preparava com todo o seu exército para marchar direto sobre Jerusalém, foi informado de que Nero estava morto, depois de reinar treze anos e oito dias. Não vou relatar em detalhe como Nero abusou do poder no governo e entregou a administração dos assuntos públicos àqueles miseráveis, Ninfídio e Tigelino, libertos indignos da confiança dele. Tampouco como esses mesmos homens conspiraram contra ele, como Nero foi abandonado por toda a sua guarda, fugiu com quatro de seus libertos mais fiéis e se matou nos arredores de Roma. Nem como os responsáveis por sua morte logo foram, eles próprios, levados à punição. Como também terminou a guerra na Gália, como Galba foi feito imperador e voltou da Espanha para Roma, como foi acusado pelos soldados de ser um homem covarde e morto por traição no meio da praça de Roma, e Otão foi feito imperador, com sua campanha contra os generais de Vitélio e a derrota que veio em seguida. Além disso, os problemas que houve sob Vitélio, e o combate que houve em torno do Capitólio, e ainda como Antônio Primo e Múrcio mataram Vitélio e suas legiões germânicas, pondo fim àquela guerra civil. Deixei de dar conta exata desses fatos porque são bem conhecidos por todos e foram descritos por muitos autores gregos e romanos. Ainda assim, para manter a ligação entre os acontecimentos e para que minha história não fique incoerente, toquei brevemente em cada coisa. Por isso, a princípio Vespasiano adiou sua campanha contra Jerusalém e ficou esperando para onde o império passaria após a morte de Nero. Além disso, quando soube que Galba tinha sido feito imperador, não tentou nada até receber dele alguma instrução sobre a guerra. Mesmo assim, enviou seu filho Tito a Galba para saudá-lo e receber suas ordens a respeito dos judeus. Na mesma missão, o rei Agripa navegou junto com Tito até Galba. Mas, enquanto seguiam em suas naus pelas costas da Acaia (era inverno), souberam que Galba tinha sido morto antes que pudessem chegar a ele, depois de reinar sete meses e outros tantos dias. Depois dele, Otão assumiu o governo e tomou a frente dos assuntos públicos. Agripa, então, decidiu seguir para Roma sem temor algum por causa da mudança no governo. Mas Tito, por um impulso divino, navegou de volta da Grécia para a Síria e veio com grande pressa a Cesareia, ao encontro de seu pai. Os dois ficaram em suspense quanto aos assuntos públicos, porque o império romano estava então em condição instável, e não deram seguimento à campanha contra os judeus. Acharam que fazer qualquer ataque a estrangeiros seria inoportuno naquele momento, por causa da preocupação que tinham com o próprio país.
E surgiu então outra guerra em Jerusalém. Havia um filho de Giora, um tal de Simão, natural de Gérasa, um homem jovem. Não era tão astuto quanto João de Giscala, que tinha se apoderado da cidade, mas era superior em força física e em coragem. Por isso, depois que Anano, o sumo sacerdote, o expulsou da toparquia de Acrabatene, que ele antes governava, Simão foi se juntar àqueles bandidos que tinham tomado Massada. No início, eles desconfiaram dele e permitiram que ele entrasse, com as mulheres que trazia consigo, na parte baixa da fortaleza, enquanto eles próprios moravam na parte alta. Mas o jeito dele se ajustou tão bem ao deles e ele parecia um homem tão confiável que passou a sair com eles, devastando e destruindo a região ao redor de Massada. Mas, quando tentou convencê-los a empreender feitos maiores, não conseguiu. Como estavam acostumados a viver naquela fortaleza, tinham medo de se afastar muito do que era seu esconderijo. Mas Simão, ambicioso por tiranizar e apaixonado por grandeza, ao ouvir da morte de Anano, deixou-os e foi para a região montanhosa do país. Ali proclamou liberdade aos que estavam na escravidão e recompensa aos que eram livres, e reuniu um bando de homens perversos vindos de toda parte.
Como agora tinha um corpo forte de homens ao seu redor, Simão percorreu as aldeias da região montanhosa. E, vindo cada vez mais gente para o seu lado, ele se arriscou a descer para as partes baixas do país. Como agora se tornara temível para as cidades, muitos dos homens poderosos foram corrompidos por ele. Assim, seu exército não era composto apenas de escravos e bandidos: boa parte do povo também lhe obedecia como a um rei. Ele então percorreu a toparquia de Acrabatene e os lugares que se estendiam até a grande Idumeia. Construiu um muro numa aldeia chamada Naim e a usou como fortaleza para a segurança de seu grupo. No vale chamado Farã, ele ampliou muitas das cavernas e encontrou muitas outras prontas para seu propósito. Usou essas cavernas como depósitos de seus tesouros e receptáculos de sua presa, e ali guardou os frutos que tinha obtido pela pilhagem. Muitos de seus partidários moravam nelas. Simão não escondia que estava treinando seus homens com antecedência e se preparando para o assalto a Jerusalém.
Diante disso, os zelotes, com medo de serem atacados por ele e querendo deter alguém que crescia para se opor a eles, saíram armados contra Simão. Simão os enfrentou. Travou batalha com eles, matou um número considerável e empurrou os demais para dentro da cidade. Mas não ousou confiar tanto em suas forças a ponto de atacar as muralhas. Decidiu primeiro subjugar a Idumeia. Como agora tinha vinte mil homens armados, marchou para as fronteiras daquele país. Diante disso, os governantes dos idumeus reuniram às pressas a parte mais aguerrida de seu povo, cerca de vinte e cinco mil homens, e deixaram o restante como guarda do próprio país, por causa das incursões feitas pelos sicários que estavam em Massada. Assim, receberam Simão em suas fronteiras. Lutaram contra ele e mantiveram a batalha o dia inteiro, sem que se pudesse dizer se o tinham vencido ou se tinham sido vencidos por ele. Simão voltou então para Naim, e os idumeus voltaram para casa. Não demorou muito e Simão veio outra vez com violência sobre o território deles. Acampou numa aldeia chamada Técoa e enviou Eleazar, um de seus companheiros, aos que guardavam a guarnição em Herodião, para convencê-los a entregar aquela fortaleza a ele. A guarnição recebeu esse homem de bom grado, sem saber nada do que ele vinha tratar. Mas, assim que ele falou da entrega do lugar, caíram sobre ele com as espadas desembainhadas, até que Eleazar percebeu que não tinha por onde fugir. Então se atirou do alto do muro para o vale embaixo e morreu na hora. Os idumeus, que temiam muito o poder de Simão, acharam melhor inspecionar o exército inimigo antes de arriscar uma batalha contra ele.
Havia entre os comandantes deles um chamado Jacó, que se ofereceu de pronto para servi-los naquela ocasião, mas tinha em mente traí-los. Ele partiu da aldeia de Aluro, onde o exército dos idumeus estava reunido, e foi até Simão. Logo de início concordou em trair seu país a Simão e dele recebeu, sob juramento, a garantia de que sempre o teria em estima. Em seguida, prometeu que o ajudaria a submeter toda a Idumeia. Por isso foi recebido com banquetes por Simão e ficou exaltado com aquelas grandiosas promessas. Quando voltou aos seus, primeiro mentiu sobre o exército de Simão, dizendo que era muitas vezes maior do que de fato era. Depois, com habilidade, convenceu os comandantes e, aos poucos, toda a multidão, a receber Simão e a entregar-lhe todo o governo sem luta. Enquanto fazia isso, convocou Simão por meio de seus mensageiros e prometeu dispersar os idumeus, o que de fato cumpriu. Assim que o exército de Simão se aproximou deles, Jacó foi o primeiro a montar no cavalo e fugir, junto com os que tinha corrompido. Diante disso, o terror tomou conta de toda a multidão. Antes mesmo que se chegasse a um combate de perto, eles romperam as fileiras e cada um se retirou para a própria casa.
Assim, sem derramamento de sangue, Simão entrou na Idumeia sem que esperassem. Fez um ataque repentino à cidade de Hebrom e a tomou. Ali se apoderou de muito espólio e a saqueou de uma enorme quantidade de frutos. O povo daquela região diz que se trata de uma cidade mais antiga não do que qualquer outra do país, mas até do que Mênfis, no Egito. Assim, calculam sua idade em dois mil e trezentos anos. Contam também que ela foi a morada de Abraão, o ancestral dos judeus, depois que ele saiu da Mesopotâmia, e dizem que seus descendentes desceram dali para o Egito. Os túmulos deles ainda são mostrados, até hoje, naquela pequena cidade. A construção desses túmulos é do mais excelente mármore e trabalhada da forma mais elegante. Também se mostra ali, a seis estádios da cidade, um terebinto muito grande, e dizem que essa árvore existe desde a criação do mundo. Dali Simão avançou por toda a Idumeia. Não apenas devastou as cidades e aldeias, mas arrasou o país inteiro. Além dos que estavam completamente armados, ele tinha quarenta mil homens que o seguiam, de modo que não havia mantimentos suficientes para tamanha multidão. E, além dessa falta de mantimentos em que se encontrava, Simão era de índole bárbara e nutria grande ódio por aquela nação. Por isso aconteceu que a Idumeia foi muito despovoada. Assim como se veem todos os bosques despidos de suas folhas pelos gafanhotos, depois que passam por ali, também nada ficava atrás do exército de Simão, a não ser um deserto. Alguns lugares eles incendiavam, outros demoliam por completo, e tudo o que crescia no campo eles pisavam ou comiam. Com suas marchas, deixavam o solo cultivado mais duro e intratável do que a terra estéril. Em resumo, não restava sinal algum de que os lugares devastados algum dia tivessem existido.
Esse sucesso de Simão reanimou os zelotes. E, embora tivessem medo de enfrentá-lo abertamente em batalha justa, armaram emboscadas nas passagens e capturaram a esposa dele, junto com um número considerável de seus acompanhantes. Voltaram então para a cidade exultando, como se tivessem capturado o próprio Simão, e esperavam que ele depusesse as armas e viesse suplicar a eles pela esposa. Mas, em vez de ceder a qualquer sentimento de clemência, Simão ficou furioso com eles por terem capturado sua amada esposa. Chegou então à muralha de Jerusalém e, como as feras quando são feridas e não conseguem alcançar quem as feriu, descarregou sua raiva contra todos que encontrava. Capturava todos os que tinham saído pelos portões da cidade, fosse para colher ervas, fosse para juntar lenha, gente desarmada e de idade avançada. Torturava-os e matava-os, na imensa fúria em que estava, quase a ponto de provar a própria carne dos cadáveres. Cortou também as mãos de muitos e as enviou para dentro da cidade, para apavorar seus inimigos e para fazer o povo cair em sedição e abandonar os que tinham sido responsáveis pela captura de sua esposa. Mandou ainda que dissessem ao povo que Simão jurava pelo Deus do universo, que tudo vê, que, se não lhe devolvessem a esposa, ele derrubaria a muralha deles e aplicaria igual castigo a todos os cidadãos, sem poupar idade alguma e sem distinção entre culpados e inocentes. Essas ameaças assustaram tanto, não o povo, mas os próprios zelotes, que eles devolveram a esposa a Simão. Com isso ele se tornou um pouco mais brando e cessou seu derramamento de sangue contínuo.
Mas então a sedição e a guerra civil prevaleciam não na Judeia, mas também na Itália. Pois Galba foi morto no meio da praça de Roma. Em seguida, Otão foi feito imperador e lutou contra Vitélio, que também se proclamou imperador, pois as legiões da Germânia o tinham escolhido. Mas, quando Otão deu batalha a Valente e Cecina, generais de Vitélio, em Bedríaco, na Gália, Otão levou vantagem no primeiro dia. No segundo dia, no entanto, os soldados de Vitélio venceram. E, depois de muita matança, Otão se matou, ao ouvir notícia dessa derrota em Bríxia, após administrar os assuntos públicos por três meses e dois dias. O exército de Otão também passou para o lado dos generais de Vitélio, e o próprio Vitélio desceu a Roma com seu exército. Nesse meio-tempo, Vespasiano partiu de Cesareia no quinto dia do mês de Désio [Sivã] e marchou contra aqueles lugares da Judeia que ainda não tinham sido derrubados. Subiu à região montanhosa e tomou aquelas duas toparquias chamadas de Gofnítica e Acrabatene. Depois disso, tomou Betel e Efraim, duas cidades pequenas. Quando pôs guarnições nelas, cavalgou até as proximidades de Jerusalém. Nessa marcha, fez muitos prisioneiros e muitos cativos. Cerialis, um de seus comandantes, tomou um corpo de cavaleiros e de soldados de infantaria e devastou a parte da Idumeia chamada Idumeia Alta. Atacou Cafetra, que se dizia uma cidade pequena, tomou-a logo no primeiro ataque e a incendiou. Também atacou Cafarabim e a cercou, pois tinha uma muralha muito forte. Quando esperava gastar muito tempo naquele cerco, os que estavam dentro abriram os portões de repente, vieram pedir perdão e se renderam a ele. Depois de vencê-los, Cerialis foi a Hebrom, outra cidade muito antiga. contei a você que essa cidade fica numa região montanhosa, não muito longe de Jerusalém. Quando entrou na cidade à força, matou toda a multidão e os jovens que ali tinham ficado e incendiou a cidade. De modo que, tomados agora todos os lugares, exceto Herodião, Massada e Maquero, que estavam em poder dos bandidos, Jerusalém era o que os romanos visavam no momento.
Agora, assim que Simão libertou sua esposa e a recuperou dos zelotes, voltou para o que restava da Idumeia. Empurrando a nação à sua frente, de todos os lados, obrigou um grande número de pessoas a se refugiar em Jerusalém. Ele próprio também as seguiu até a cidade e cercou a muralha por toda a volta de novo. E, quando topava com trabalhadores que vinham para vindos do campo, matava-os. Esse Simão, que estava do lado de fora da muralha, era um terror maior para o povo do que os próprios romanos, assim como os zelotes que estavam dentro pesavam sobre o povo mais do que os outros dois. Durante esse tempo, as maquinações maldosas e a audácia de João corromperam o corpo dos galileus. Pois esses galileus tinham promovido João e o tornado muito poderoso, e ele lhes deu paga à altura, com a autoridade que obtivera por meio deles. Permitia-lhes fazer tudo o que qualquer um deles quisesse fazer, enquanto a sede deles por pilhagem era insaciável, assim como o empenho em revistar as casas dos ricos. E matar os homens e abusar das mulheres era diversão para eles. Devoravam também os despojos que tinham tomado, junto com o sangue, e se entregavam a uma lascívia afeminada, sem qualquer perturbação, até se fartarem dela. Enfeitavam o cabelo, vestiam roupas de mulher e se untavam de unguentos. Para parecerem muito bonitos, passavam pinturas sob os olhos e imitavam não os ornamentos, mas também os apetites das mulheres. Eram culpados de uma impureza tão intolerável que inventavam prazeres ilícitos desse tipo. Assim, rolavam de um lado para o outro da cidade, como num prostíbulo, e a profanavam por completo com suas ações impuras. Embora o rosto deles parecesse rosto de mulher, matavam com a mão direita. E, com seu andar afeminado, num instante atacavam homens e se tornavam guerreiros. Sacavam as espadas de sob seus mantos finamente tingidos e atravessavam qualquer um que encontrassem. Mas Simão ficava à espera dos que fugiam de João, e era o mais sanguinário dos dois. Quem escapava do tirano dentro da muralha era morto pelo outro, que ficava diante dos portões. De modo que toda tentativa de fugir e desertar para os romanos ficava cortada, para os que tivessem essa intenção.
Mesmo assim, o exército que estava sob o comando de João levantou uma sedição contra ele. Todos os idumeus se separaram do tirano e tentaram destruí-lo, por inveja de seu poder e ódio de sua crueldade. Reuniram-se, então, e mataram muitos dos zelotes, empurrando os demais à sua frente para dentro daquele palácio real que tinha sido construído por Grapte, parente de Izates, o rei de Adiabene. Os idumeus avançaram sobre eles, expulsaram os zelotes dali para o Templo e se puseram a saquear os bens de João, pois ele próprio estava naquele palácio e ali tinha guardado os despojos que adquirira por sua tirania. Nesse meio-tempo, a multidão de zelotes que estava espalhada pela cidade correu junto para o Templo, ao encontro dos que tinham fugido para lá. João se preparou para lançá-los contra o povo e os idumeus, que tinham menos medo de ser atacados por eles, por serem melhores soldados, do que da loucura deles: temiam que os zelotes saíssem às escondidas do Templo, se infiltrassem entre eles e não os matassem, mas também ateassem fogo à cidade. Então se reuniram, junto com os sumos sacerdotes, e deliberaram sobre como evitar o ataque deles. Mas foi Deus quem voltou as opiniões deles para o pior conselho, e assim arquitetaram, para se livrar, um remédio que era pior do que a própria doença. Para derrubar João, decidiram admitir Simão e pedir, com insistência, a entrada de um segundo tirano na cidade. Levaram essa resolução a cabo e enviaram Matias, o sumo sacerdote, para suplicar a esse Simão que viesse até eles, ele de quem tantas vezes tinham tido medo. Os que tinham fugido dos zelotes em Jerusalém juntaram-se a esse pedido, pelo desejo de preservar suas casas e seus bens. Simão, então, de maneira arrogante, concedeu-lhes sua proteção senhorial e entrou na cidade para libertá-la dos zelotes. O povo também o aclamou com alegria, como seu salvador e seu protetor. Mas, depois que entrou com seu exército, Simão tratou de garantir a própria autoridade e passou a ver os que o tinham convidado a entrar como inimigos não menores do que aqueles contra quem o convite fora feito.
E assim Simão se apoderou de Jerusalém, no terceiro ano da guerra, no mês de Xântico [Nisã]. Diante disso, João, com sua multidão de zelotes, sem poder sair do Templo e tendo perdido o poder na cidade (pois Simão e seu grupo os tinham despojado do que possuíam), ficou sem esperança de salvação. Simão também atacou o Templo, com a ajuda do povo, enquanto os outros se postavam sobre os pórticos e as ameias e se defendiam dos ataques. Mesmo assim, caiu um número considerável do grupo de Simão, e muitos foram levados feridos. Pois os zelotes lançavam seus dardos com facilidade de um ponto mais alto e raramente erravam os inimigos. Tinham a vantagem da posição e, além disso, tinham erguido de antemão quatro torres muito grandes, para que seus dardos viessem de lugares mais altos: uma no canto nordeste do pátio, uma acima do Xisto, a terceira em outro canto, defronte da cidade baixa, e a última foi erguida acima do topo do Pastofório. Ali ficava, como de costume, um dos sacerdotes, que dava o sinal com antecedência, com uma trombeta, no início de cada sétimo dia, no crepúsculo da tarde, e também ao anoitecer, quando aquele dia terminava, avisando o povo de quando deviam parar de trabalhar e quando deviam voltar ao trabalho. Esses homens também montaram suas máquinas de arremessar dardos e pedras sobre aquelas torres, com seus arqueiros e fundeiros. Agora Simão atacava o Templo com menos vigor, porque a maior parte de seus homens se cansava daquele trabalho. Mas ele não desistiu da ofensiva, porque seu exército era superior ao dos outros, embora os dardos lançados pelas máquinas alcançassem grande distância e matassem muitos dos que combatiam por ele.