A Guerra dos Judeus - Livro II 22

Livro II: dos procuradores ao início da revolta

Os judeus preparam tudo para a guerra. E Simão bar Giora se entrega ao saque.

Foi assim que as agitações da Galileia se acalmaram. Quando os judeus pararam de alimentar suas disputas internas, dedicaram-se a preparar a guerra contra os romanos. Em Jerusalém, o sumo sacerdote Anano e todos os homens influentes que não estavam do lado dos romanos reconstruíram as muralhas e fabricaram grande quantidade de equipamento de guerra. Por toda a cidade, dardos e armaduras de todo tipo eram batidos na bigorna. A multidão de jovens se exercitava sem ordem alguma, e por toda parte havia tumulto. As pessoas moderadas, no entanto, sentiam profunda tristeza, e muitos, prevendo as calamidades que se aproximavam, faziam grandes lamentações. Observaram-se também presságios entendidos como sinais de males vindouros por aqueles que amavam a paz, mas os que atiçavam a guerra os interpretavam de modo a favorecer suas próprias inclinações. A própria situação da cidade, mesmo antes de os romanos marcharem contra ela, era a de um lugar condenado à destruição. A preocupação de Anano era esta: suspender por algum tempo os preparativos de guerra, persuadir os sediciosos a pensar no próprio interesse e conter a loucura dos que se diziam zelotes. A violência deles, no entanto, foi mais forte que ele, e o fim que teve narraremos mais adiante.
Quanto à toparquia de Acrabatene, Simão bar Giora reuniu grande número de homens ávidos por revoltas e passou a saquear a região. Ele não apenas atacava as casas dos ricos, mas também torturava suas pessoas, e desde o início mostrava abertamente que aspirava à tirania em seu governo. Quando Anano e os demais governantes enviaram um exército contra ele, Simão e seu bando recuaram para junto dos bandidos que estavam em Massada e ali permaneceram. Com eles, saquearam a região da Idumeia, até que Anano e seus outros adversários foram mortos. Os governantes daquela região ficaram tão atormentados pela quantidade de mortos e pela contínua devastação de seus bens que organizaram um exército e instalaram guarnições nas aldeias para protegê-las desses ataques. Esse era o estado dos assuntos da Judeia naquele tempo.