A Guerra dos Judeus - Livro I 12

Livro I: dos Macabeus à morte de Herodes, o Grande

Fasael leva a melhor sobre Félix. Herodes também vence Antígono em batalha. Os judeus acusam tanto Herodes quanto Fasael, mas Antônio os absolve e os faz tetrarcas.

Quando Cássio saiu da Síria, surgiu outra revolta em Jerusalém. Félix atacou Fasael com um exército para vingar a morte de Malico em Herodes, golpeando o irmão dele. Herodes estava então com Fábio, o governador de Damasco, e, ao seguir em socorro do irmão, foi detido por uma doença. Nesse meio-tempo, Fasael sozinho mostrou-se mais forte do que Félix, e censurou Hircano por sua ingratidão: tanto pela ajuda que havia dado a Malico quanto por ter fechado os olhos ao irmão de Malico quando este se apoderou das fortalezas. Pois ele havia tomado muitas delas, e entre elas a mais forte de todas, Massada.
Mas nada disso bastava contra a força de Herodes. Assim que se recuperou, Herodes retomou as outras fortalezas e expulsou Félix de Massada, reduzido à condição de suplicante. Também expulsou da Galileia a Mário, o tirano dos tírios, que havia ocupado três praças fortificadas. Quanto aos tírios que capturou, manteve todos vivos. A alguns deles, inclusive, deu presentes e os mandou embora, conquistando assim a boa vontade da cidade e o ódio contra o tirano. Mário, na verdade, tinha recebido aquele poder tirânico de Cássio, que pôs tiranos em toda a Síria. Foi por ódio a Herodes que ele ajudou Antígono, filho de Aristóbulo, sobretudo por causa de Fábio, a quem Antígono havia comprado com dinheiro como aliado, tendo-o a seu favor quando avançou. Mas foi Ptolomeu, parente de Antígono, quem lhe forneceu tudo o que precisava.
Quando Herodes os enfrentou nas entradas da Judeia, venceu a batalha, expulsou Antígono e voltou a Jerusalém querido por todos pela ação gloriosa que havia realizado. Os que antes não o favoreciam agora se juntaram a ele, por causa de seu casamento com a família de Hircano. Pois, se antes ele havia se casado com uma mulher de seu próprio país, de sangue não plebeu, chamada Doris, com quem gerou Antípater, agora se casava com Mariane, filha de Alexandre, filho de Aristóbulo, e neta de Hircano. Tornou-se assim parente do rei.
Mas, quando César e Antônio mataram Cássio perto de Filipos, e César foi para a Itália e Antônio para a Ásia, entre as demais cidades que enviaram embaixadores a Antônio na Bitínia foram também os grandes homens dos judeus. Eles acusaram Fasael e Herodes de manter o governo pela força, dizendo que Hircano não tinha mais do que um título honroso. Herodes apresentou-se pronto para responder a essa acusação. Tendo feito de Antônio seu amigo com as grandes somas de dinheiro que lhe deu, levou-o a tal disposição que Antônio nem quis ouvir os outros falarem contra ele. E assim se separaram naquela ocasião.
Mesmo assim, depois disso, vieram cem dos principais homens dos judeus até Dáfne, perto de Antioquia, ter com Antônio, que estava apaixonado por Cleópatra a ponto da escravidão. Esses judeus puseram à frente os homens mais influentes em dignidade e eloquência, e acusaram os dois irmãos. Mas Messala se opôs a eles e defendeu os irmãos, enquanto Hircano ficava a seu lado, por causa do parentesco com eles. Quando Antônio ouviu os dois lados, perguntou a Hircano qual dos grupos era o mais apto a governar. Ele respondeu que Herodes e seu grupo eram os mais aptos. Antônio ficou contente com aquela resposta. Pois antes havia sido tratado de modo hospitaleiro e gentil pelo pai de Herodes, Antípater, quando marchou para a Judeia com Gabínio. Por isso nomeou os dois irmãos tetrarcas e confiou a eles o governo da Judeia.
Mas, como os embaixadores ficaram indignados com esse desfecho, Antônio prendeu quinze deles e os deixou sob custódia, com a intenção de matá-los logo. Os demais ele expulsou com vergonha. Por causa disso, surgiu em Jerusalém um tumulto ainda maior. Então enviaram de novo mil embaixadores a Tiro, onde Antônio agora estava, enquanto marchava para Jerusalém. Contra esses homens que faziam alarido, Antônio enviou o governador de Tiro e ordenou que punisse todos os que conseguisse capturar, e que estabelecesse no governo aqueles que ele havia nomeado tetrarcas.
Mas, antes disso, Herodes e Hircano foram até a praia e pediram com insistência a esses embaixadores que não trouxessem a ruína sobre si mesmos nem a guerra sobre a própria pátria com suas disputas insensatas. Como eles se mostraram ainda mais furiosos, Antônio enviou homens armados e matou muitos, e feriu mais ainda. Os que foram mortos, Hircano enterrou, e aos feridos ele colocou sob os cuidados de médicos. Mesmo assim, os que escaparam não ficaram quietos, mas lançaram os assuntos da cidade em tal desordem, e provocaram Antônio a tal ponto, que ele matou também aqueles que mantinha presos.