Cartas - Livro VIII 12
Viagens, propriedades rurais, escravos e o exercício da virtude
Caio Plínio ao seu Miniciano, saudações.
Só por hoje peço dispensa: Titínio Capitão vai fazer uma leitura pública, e não sei se devo mais ouvi-la ou se mais desejo ouvi-la. Ele é um homem excelente, que se deve contar entre os principais ornamentos da nossa época. Cultiva as letras, ama, apoia e promove os estudiosos, é porto, abrigo e regaço de muitos que escrevem algo, exemplo para todos, e enfim aquele que restaura e reforma as próprias letras já em decadência.
Empresta a sua casa aos que fazem leituras, e com admirável generosidade frequenta as salas de leitura não só na sua própria casa; a mim, ao menos, sempre que estive na cidade, ele nunca faltou. Ora, tanto mais vergonhoso é não retribuir o favor quanto mais honrosa é a razão para retribuí-lo.
Acaso, se eu andasse atolado em processos, eu me consideraria obrigado a quem comparecesse às minhas fianças; e agora, porque todo o meu ocupar-se e todo o meu cuidado estão nos estudos, devo menos a quem me prestigia com tanta assiduidade justamente naquilo em que, para não dizer só, certamente posso mais ser obrigado?
E mesmo que eu não lhe devesse nenhuma retribuição, nenhum favor como que recíproco, ainda assim eu me interessaria por ele, seja pelo seu talento belíssimo e dulcíssimo mesmo em meio à máxima severidade, seja pela nobreza do assunto. Ele escreve sobre as mortes de homens ilustres, entre eles alguns muito queridos meus.
Parece-me, então, que cumpro um dever piedoso e que, daqueles cujas exéquias não me foi permitido celebrar, participo como que dos elogios fúnebres, tardios é verdade, mas tanto mais verdadeiros por isso. Adeus.