Cartas - Livro VII 25

Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras

Caio Plínio a seu caro Rufo, saudações.

Quantos eruditos a própria modéstia ou o retiro escondem e subtraem à fama! Mas nós tememos, quando vamos falar ou ler algo, aqueles que exibem seus estudos, ao passo que os que se calam prestam um serviço maior, pois honram com o silêncio uma grande obra.
Escrevo o que escrevo por experiência. Terêncio Júnior, tendo cumprido com total integridade os serviços militares equestres e também a procuradoria da província da Narbonense, recolheu-se às suas terras e preferiu o ócio mais tranquilo às honras que estavam ao seu alcance.
Convidado para sua hospedagem, eu o via como um bom pai de família e um agricultor diligente, pronto a falar das coisas em que pensava que ele se ocupava; e tinha começado, quando ele, com um discurso eruditíssimo, me trouxe de volta aos estudos.
Que apuro em tudo, que latim, que grego! Pois domina tanto as duas línguas que parece sobressair mais naquela em que está falando no momento. Quanto ele lê, quanto retém! Pensarias que o homem vive em Atenas, não numa casa de campo.
Para que dizer mais? Aumentou a minha preocupação e fez com que eu tema esses homens retirados e quase rústicos não menos do que aqueles que conheço como os mais doutos.
O mesmo te aconselho: pois há, tanto nos acampamentos quanto em nossas letras, muitos de traje camponês que, ao examinares com cuidado, encontrarás de cinto e armas, e até com o talento mais ardente. Adeus.