Cartas - Livro VI 10

Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)

Caio Plínio ao seu caro Albino, saudações.

Quando cheguei à vila da minha sogra em Alsium, que por algum tempo foi de Rufo Vergínio, o próprio lugar renovou em mim, não sem dor, a saudade daquele homem ótimo e grandíssimo. Pois ele costumava cultivar este retiro e até chamá-lo de ninho da sua velhice.
Para onde quer que eu me voltasse, meu espírito e meus olhos o procuravam. Tive vontade até de ver o monumento dele, e me arrependi de tê-lo visto.
Pois está ainda inacabado, e a causa não é a dificuldade da obra, que é modesta ou antes pequena, mas a indolência daquele a quem se confiou o cuidado. Sobe em mim a indignação misturada com pena: dez anos depois da morte, os restos e as cinzas negligenciadas jazem sem epitáfio, sem nome, quando sua memória e glória percorrem o mundo inteiro.
E ele havia ordenado e providenciado que aquele feito divino e imortal fosse gravado em versos: "Aqui jaz Rufo, que, derrotado Víndex, reivindicou o poder não para si, mas para a pátria."
Tão rara é a lealdade nas amizades, tão pronto o esquecimento dos mortos, que devemos construir nós mesmos até os nossos sepulcros e antecipar todos os deveres dos herdeiros.
Pois quem não deve temer o que vemos ter acontecido a Vergínio? A injustiça que sofreu, a fama dele torna tão mais indigna quanto mais conhecida. Adeus.