Cartas - Livro V 17
As villas, os testamentos, a educação e a memória dos mortos
Caio Plínio ao seu amigo Vestrício Espurina, saudações.
Sei o quanto você favorece as boas artes, e quanta alegria você tem quando jovens nobres fazem algo digno de seus antepassados. Por isso me apresso ainda mais a lhe avisar que estive hoje no auditório de Calpúrnio Pisão.
Ele recitava um poema sobre as Constelações, tema sem dúvida erudito e brilhante. Estava escrito em dísticos elegíacos fluentes, delicados e sem asperezas, e até sublimes quando o tema exigia. Pois com habilidade e variedade ora se elevava, ora baixava; trocava o elevado pelo simples, o tênue pelo cheio, o severo pelo agradável, tudo com igual talento.
Realçava isso com uma voz suavíssima, e a voz, o recato: muito rubor, muita apreensão no rosto, grandes ornamentos de quem recita. Pois, não sei por quê, nos estudos o temor fica melhor nos homens do que a autoconfiança.
Para não dizer mais (embora me agrade dizer mais, quanto mais belas são essas coisas num jovem, e mais raras num nobre), terminada a recitação, depois de beijar muito e demoradamente o rapaz, o que é o estímulo mais forte de quem aconselha, eu o incitei com louvores a seguir por onde tinha começado, e a transmitir aos descendentes a luz que os antepassados lhe transmitiram.
Dei os parabéns à excelente mãe, e também ao irmão, que saiu daquele auditório com glória de afeto fraterno não menor que a do outro com a de eloquência: de modo tão notável, enquanto o irmão recitava, primeiro brilhou o seu medo, e logo a sua alegria.
Queiram os deuses que eu lhe anuncie tais coisas mais vezes! Pois desejo que esta era não seja estéril e exausta, e desejo muito que os nossos nobres não tenham em suas casas nada de belo a não ser os retratos dos antepassados; estes agora me parecem louvar e incitar em silêncio esses jovens e, o que basta de glória para ambos, reconhecê-los como seus. Até logo.