Cartas - Livro IX 9
As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero
Caio Plínio ao seu Colono, saudações.
Aprovo muito que você esteja tão dolorosamente afetado pela morte de Pompeu Quintiano, a ponto de prolongar com a saudade o afeto pelo que perdeu, e não como a maioria, que ama apenas os vivos, ou melhor, finge amá-los, e nem sequer finge a não ser com os que vê prósperos; pois esquecem os infelizes assim como os mortos. Mas em você há uma lealdade perene e uma constância tão grande no amor, que só pode terminar com a sua própria morte.
E, por Hércules, Quintiano foi alguém que merecia ser amado pelo próprio exemplo. Amava os felizes, protegia os infelizes, sentia falta dos que perdia. Quanta honestidade no rosto, quanta ponderação no falar, com que igual equilíbrio uniam-se a gravidade e a afabilidade! Que dedicação às letras, que discernimento! Com que devoção convivia com um pai tão diferente dele! Como não o impedia de parecer um homem excelente o fato de ser um filho excelente!
Mas para que eu exaspero a sua dor? Ainda assim, você amou tanto o jovem que prefere isto a que se silencie sobre ele, sobretudo por mim, por cujo elogio você acredita que a vida dele se enobrece, a memória se prolonga e até aquela idade da qual foi arrancado pode ser restaurada. Adeus.