Cartas - Livro IX 39

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio a seu caro Mústio, saudações.

Por aviso dos harúspices, devo reconstruir, melhor e maior, o templo de Ceres em minhas propriedades, certamente velho e estreito, embora muito frequentado em dia fixo.
Pois nos idos de setembro grande multidão acorre de toda a região; muitos negócios se fazem, muitos votos são empenhados, muitos cumpridos; mas não por perto nenhum abrigo, nem contra a chuva nem contra o sol.
Parece-me, então, que agirei com generosidade e ao mesmo tempo com piedade, se erguer um templo o mais belo possível e acrescentar pórticos ao templo, aquele para uso da deusa, estes para uso dos homens.
Quero, pois, que compres quatro colunas de mármore, do tipo que te parecer, e mármores com que se revistam o piso e as paredes. Será preciso também fazer uma estátua da própria deusa, porque aquela antiga, de madeira, perdeu pela idade algumas de suas partes.
Quanto aos pórticos, por ora nada me ocorre que pareça preciso pedir-te daí, a não ser que tracejes uma planta conforme a disposição do lugar. Pois não se pode cercar o templo de todos os lados: o terreno do templo é limitado de um lado pelo rio e por margens muito íngremes, e de outro por uma estrada.
Para além da estrada um prado muito amplo, no qual os pórticos se estenderão bem apropriadamente, em frente ao próprio templo; a não ser que tu encontres algo melhor, tu que costumas vencer com arte as dificuldades dos lugares. Adeus.