Cartas - Livro IX 30

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio a seu caro Gemino, saudações.

Tu me louvas, e com frequência, tanto pessoalmente quanto agora por carta, o teu Nônio, por ser generoso com algumas pessoas. Também eu o louvo, contanto que não seja com elas. Pois quero que aquele que é verdadeiramente generoso reparta com a pátria, com os parentes, com os afins, com os amigos, mas digo amigos pobres, não como esses que dão de preferência a quem mais pode dar.
Considero que estes, com seus presentes pegajosos e cheios de anzol, não oferecem o que é seu, mas arrebatam o que é alheio. De índole semelhante são os que tiram de um o que dão a outro, e buscam fama de generosidade com a avareza.
O primeiro dever é contentar-se com o que se tem; depois, é sustentar e amparar os que sabes mais necessitados, percorrendo certo círculo de companheirismo. Se aquele faz tudo isso, é digno de louvor em tudo; se faz uma dessas coisas, é digno de menos louvor, mas ainda assim de louvor:
tão raro é um exemplo até de generosidade imperfeita. Tal cobiça de possuir tomou conta dos homens que parecem antes possuídos pelos bens do que possuidores deles. Adeus.