Cartas - Livro IV 8

Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever

Caio Plínio a Maturo Arriano, seu amigo, saudações.

Você me felicita por eu ter recebido o cargo de áugure: com razão me felicita. Primeiro porque é belo obter o juízo de um príncipe tão respeitável até em coisas menores; depois porque o próprio sacerdócio, além de antigo e religioso, é também plenamente sagrado e notável, por não ser retirado de quem está vivo.
Pois os outros cargos, embora quase iguais em dignidade, são concedidos e tirados; neste, a fortuna pode chegar até o ponto de concedê-lo.
Para mim, parece digno de felicitação também o fato de eu ter sucedido a Júlio Frontino, homem eminente, que no dia das indicações, por estes anos seguidos, indicava meu nome entre os sacerdotes, como se quisesse me cooptar para o seu lugar; o que agora o desfecho confirmou de tal modo que não parece ter sido por acaso.
Você, como escreve, fica especialmente contente com o meu cargo de áugure porque Marco Túlio foi áugure. Você se alegra, pois, porque eu sigo as honras daquele que desejo emular nos estudos.
Mas, assim como alcancei o mesmo sacerdócio e o consulado ainda muito mais jovem do que ele, oxalá possa, ao menos na velhice, alcançar em alguma parte o talento dele!
Mas é claro que o que está nas mãos dos homens coube a mim e a muitos; mas aquilo que pode ser dado pelos deuses, é tão árduo de obter quanto excessivo de esperar. Até logo.