Cartas - Livro IV 27
Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever
Caio Plínio a seu caro Pompeu Falcão, saudações.
Faz três dias que ouvi Sêncio Augurino recitar, com o maior prazer meu, ou melhor, até com admiração. Ele os chama de "pequenos poemas". Muita coisa em estilo delicado, muita em estilo elevado, muita com graça, muita com ternura, muita com doçura, muita com fel.
Penso que há alguns anos não se escreveu nada do mesmo gênero mais acabado, a não ser que me engane o afeto por ele ou o fato de ele mesmo me cobrir de elogios.
Pois tomou como tema o fato de que eu, de quando em quando, me divirto com versos. E, para fazer de você o juiz do meu juízo, vou tentar: se eu conseguir lembrar o segundo verso desse mesmo tema; pois os demais eu sei de cor e já recitei.
"Canto poemas em versos miúdos, os mesmos que antigamente meu Catulo, Calvo e os antigos usaram. Mas que me importa? Só um Plínio tenho como superior: ele, deixando o foro, prefere os versinhos e busca quem amar, e crê ser amado. Aquele Plínio, ó, quantos Catões vale ele! Vá agora, quem quer que ame, e não ame mais."
Você vê como tudo é fino, como é apropriado, como é nítido. Pelo gosto disto eu lhe garanto o livro inteiro, que lhe mostrarei assim que ele o publicar. Enquanto isso, ame o jovem e felicite a nossa época por tal talento, que ele adorna com seus costumes. Convive com Espurina, convive com Antonino, sendo parente de um e companheiro de casa do outro.
Você pode tirar disto a conclusão de quão íntegro é o rapaz, que assim é amado por anciãos tão graves. Pois é verdadeiríssimo aquilo: "Sabe-se que ele é tal qual aqueles com quem gosta de conviver." Até logo.