Cartas - Livro III 10
Retratos de homens ilustres, processos no senado e reflexões sobre a vida literária
Caio Plínio a seus caros Vestrício Espurina e Cótia, saudações.
Não lhes contei, quando estive há pouco em sua casa, que tinha composto alguns versos sobre o filho de vocês. Não contei, primeiro porque não os tinha escrito para recitar, mas para dar vazão ao meu amor e à minha dor; depois porque, Espurina, quando você soube que eu tinha recitado, segundo você mesmo me disse, achei que ao mesmo tempo tinha ouvido o que eu recitara.
Além disso, temi perturbá-los nos dias de festa, se eu trouxesse de volta a lembrança do mais grave luto. Agora também hesitei por um momento se enviava apenas o que recitei, como vocês pedem, ou se acrescentava o que penso reservar para outro volume.
Pois não basta aos meus sentimentos honrar com um só livreto a memória que me é tão querida e sagrada, cuja fama será mais bem servida se for distribuída e organizada com cuidado.
Mas, hesitando eu entre mostrar a vocês tudo o que já compus ou ainda guardar algumas partes, pareceu-me mais simples e mais amigável dar tudo, sobretudo porque vocês garantem que ficará entre nós até que eu queira publicar.
Quanto ao resto, peço que, com a mesma simplicidade, me indiquem se acharem que algo deve ser acrescentado, mudado ou retirado.
É difícil concentrar a mente nessas coisas na dor; difícil, mas, assim como vocês instruiriam um escultor ou um pintor que fizesse a imagem do filho de vocês sobre o que devia destacar e o que devia corrigir, do mesmo modo orientem e dirijam também a mim, que tento fazer não uma imagem frágil e perecível, mas, como vocês pensam, imortal: e ela será tanto mais duradoura quanto mais verdadeira, melhor e mais acabada for. Adeus.