Cartas - Livro II 16

Cartas sobre oratória, heranças, a morte de amigos e o cotidiano da elite romana

Caio Plínio ao seu caro Ânio, saudações.

Com seu zelo de sempre, você me avisa que os codicilos de Aciliano, que me instituiu herdeiro de parte de seus bens, devem ser tidos como inexistentes, por não terem sido confirmados em testamento;
esse ponto da lei nem a mim é desconhecido, que o conhecem até os que nada mais sabem. Mas estabeleci para mim uma lei própria: respeitar a vontade dos mortos, ainda que falhe juridicamente, como se fosse perfeita. Ora, é certo que esses codicilos de Aciliano foram escritos por sua própria mão.
Portanto, embora não tenham sido confirmados em testamento, serão por mim observados como se confirmados estivessem, sobretudo porque não lugar para um delator.
Pois, se houvesse motivo para temer que o povo arrebatasse o que eu desse, talvez eu devesse ser mais hesitante e cauteloso; mas, que é lícito ao herdeiro doar o que recaiu na herança, nada se opõe àquela minha lei, à qual as leis públicas não resistem. Passe bem.