Cartas - Livro II 10

Cartas sobre oratória, heranças, a morte de amigos e o cotidiano da elite romana

Caio Plínio a seu caro Otávio, saudações.

Que homem paciente você é, ou melhor, que homem duro e quase cruel, por reter tão notáveis livros por tanto tempo!
Até quando vai negar isso a você e a nós, a você o maior louvor, a nós o prazer? Deixe que circulem na boca dos homens e percorram todos os espaços por onde se fala a língua romana. A expectativa é grande e longa, e você não deve mais frustrá-la nem adiá-la.
Alguns dos seus versos se tornaram conhecidos e, contra a sua vontade, romperam as barreiras que você lhes pôs. Se não os recolher de volta ao corpo da obra, um dia, como escravos fugitivos, encontrarão alguém em cujo nome serão atribuídos.
Tenha diante dos olhos a mortalidade, da qual você pode se livrar por este único monumento; pois as demais coisas, frágeis e perecíveis, perecem e acabam não menos do que os próprios homens.
Você dirá, como de costume: 'Meus amigos que cuidem disso.' Desejo, de fato, que você tenha amigos tão fiéis, tão cultos, tão dedicados, que possam e queiram assumir tanto cuidado e empenho; mas veja se não é pouco prudente esperar dos outros aquilo que você não faz por si mesmo.
Quanto à publicação, por ora faça como quiser; pelo menos faça uma leitura pública, para que cresça a vontade de divulgar e para que enfim você experimente a alegria que eu, em seu nome, muito antecipo com razão.
Pois imagino que afluência, que admiração, que aplauso e até que silêncio o aguardam; e desse silêncio eu, quando falo ou recito, me deleito não menos do que do aplauso, contanto que seja um silêncio agudo, atento e ávido de ouvir mais.
Com fruto tão grande e tão certo, deixe de privar os seus estudos dessa infinita demora; pois, quando ela passa da medida, que temer que receba o nome de inércia, indolência ou até timidez. Adeus.