Cartas - Livro I 7
As primeiras cartas literárias publicadas: retórica, amizade e a vida pública e privada de um senador romano
Caio Plínio a seu Otávio Rufo, saudações.
Veja em que altura você me colocou, dando-me o mesmo poder e o mesmo domínio que Homero atribuiu a Júpiter, o melhor e maior: 'uma parte do pedido o pai concedeu, a outra recusou'.
Pois também eu posso responder ao seu desejo com um aceno parecido, de sim e de não. Assim como me é lícito, sobretudo a seu pedido, recusar a defesa dos béticos contra um único homem, do mesmo modo não condiz com a minha fidelidade nem com a constância que você aprecia atuar contra uma província à qual já me liguei por tantos serviços, tantos trabalhos e até tantos perigos meus.
Vou então adotar este meio-termo: das duas alternativas que você pede, escolherei de preferência aquela em que satisfaço não só o seu desejo, mas também o seu juízo. Pois não devo considerar tanto o que você, homem excelente, quer no momento, quanto o que você sempre vai aprovar.
Espero estar em Roma por volta dos Idos de outubro e confirmar isto pessoalmente a Galo, pela sua palavra e pela minha; a ele, no entanto, você já pode garantir, desde já, a minha disposição: 'e assentiu com as sobrancelhas escuras'.
Pois por que eu não trataria com você o tempo todo com versos de Homero, já que você não me deixa tratar com os seus, pelos quais ardo em tanto desejo que me parece que só com esse pagamento eu poderia ser corrompido, a ponto de atuar até contra os béticos?
Quase me esqueci do que de modo algum se devia esquecer: recebi tâmaras ótimas, que agora terão de competir com os figos e os cogumelos. Adeus.