Cartas - Livro I 3

As primeiras cartas literárias publicadas: retórica, amizade e a vida pública e privada de um senador romano

Caio Plínio a seu Canínio Rufo, saudações.

Como vai Como, o encanto seu e meu? E aquela vila dos arredores, tão agradável; e o pórtico onde é sempre primavera; e o bosque de plátanos, tão sombreado; e o canal verde e cintilante; e o lago embaixo, à disposição; e aquele passeio macio e ainda assim firme; e aquele banho que o sol enche e contorna em abundância; e as salas de jantar, umas para muitos, outras para poucos; e os quartos de dia e de noite? Eles tomam você inteiro e o repartem entre si por turnos?
Ou, como costumava acontecer, você é arrancado de por excursões frequentes para cuidar dos negócios da família? Se eles tomam você, é um homem feliz e abençoado; se não, é mais um entre tantos.
Por que você não confia a outros, pois é hora, essas preocupações baixas e mesquinhas, e não se dedica aos estudos nesse retiro elevado e fértil? Que isto seja o seu trabalho e o seu descanso, o seu esforço e a sua paz; nisto repouse a sua vigília e também o seu sono.
Modele algo, forje algo que seja seu para sempre. Pois o resto dos seus bens, depois de você, terá um dono e mais outro; isto nunca deixará de ser seu, uma vez que tenha começado.
Sei que espírito, que talento estou incitando; você precisa se empenhar para valer a si mesmo tanto quanto vai parecer aos outros, se valer a si mesmo. Adeus.