Cartas - Livro I 20

As primeiras cartas literárias publicadas: retórica, amizade e a vida pública e privada de um senador romano

Caio Plínio ao seu Cornélio Tácito, saudações.

Tenho frequente discussão com certo homem douto e experiente, a quem nada agrada tanto, na defesa das causas, quanto a brevidade.
Confesso que ela deve ser observada, se a causa permitir; do contrário, é conivência passar por cima do que se deve dizer, e é conivência também tocar de modo corrido e breve no que se deveria insistir, fixar e repetir.
Pois à maioria dos argumentos um tratamento mais longo acrescenta certa força e peso; e, como o ferro no corpo, assim o discurso se imprime na alma não tanto pelo golpe quanto pela demora.
Aqui ele me opõe autoridades e me exibe, dos gregos, os discursos de Lísias, e dos nossos, os dos Gracos e de Catão, que de fato são, em sua maioria, cerceados e breves. Eu oponho a Lísias os de Demóstenes, Ésquines, Hipérides e muitos outros; aos Gracos e a Catão, oponho Polião, César, Célio e, acima de todos, Marco Túlio, cujo melhor discurso costuma-se ter por aquele que é o maior. E, por Hércules, assim como as demais coisas boas, também um bom livro é tanto melhor quanto maior.
Você como as estátuas, as imagens, as pinturas e enfim as formas dos homens e de muitos animais, e até das árvores, se forem elegantes, nada as recomenda mais do que a grandeza. O mesmo acontece com os discursos; mais ainda, aos próprios volumes a extensão acrescenta certa autoridade e beleza.
Isto e muitas outras coisas, que eu costumo dizer no mesmo sentido, ele as escapa (pois é, na discussão, inapreensível e escorregadio) sustentando que esses mesmos autores, em cujos discursos me apoio, falaram menos do que publicaram.
Eu, ao contrário, penso o oposto. Testemunham-no muitos discursos de muitos autores, e de Cícero os discursos em defesa de Murena e de Vareno, nos quais a curta e nua menção de certas acusações é indicada apenas pelos títulos. Disso se que ele disse muito mais e omitiu ao publicar.
O mesmo Cícero diz, no discurso em defesa de Cluêncio, que tratou de toda a causa, segundo o antigo costume, na peroração; e que, no discurso em defesa de Caio Cornélio, atuou por quatro dias. Não podemos, pois, duvidar de que o que ele disse de modo mais amplo ao longo de vários dias (como era necessário) ele depois cortou, expurgou e comprimiu num único livro, longo, é verdade, mas ainda assim um só.
Mas uma coisa é uma boa atuação, outra coisa é um bom discurso. Sei que a alguns parece assim; eu, no entanto (talvez me engane), estou persuadido de que pode acontecer que haja boa atuação que não seja bom discurso, mas que não pode deixar de ser boa atuação a que é bom discurso. Pois o discurso é o modelo da atuação e como que o seu arquétipo.
Por isso, em cada um dos melhores discursos encontramos mil figuras improvisadas, mesmo naqueles que sabemos apenas terem sido publicados, como no discurso contra Verres: 'que artista? qual mesmo? lembras bem; diziam que era Policleto.' Segue-se, portanto, que a atuação é tanto mais perfeita quanto mais reproduzir a semelhança do discurso, contanto que receba o tempo justo e devido; e, se este for negado, nenhuma é a culpa do orador, máxima a do juiz.
Apoiam esta minha opinião as leis, que concedem prazos longuíssimos e recomendam aos que falam não a brevidade, mas a abundância (isto é, o cuidado); coisa que a brevidade não pode garantir, a não ser nas causas mais estreitas.
Acrescentarei o que me ensinou a prática, mestra excelente. Atuei muitas vezes, julguei muitas vezes, muitas vezes participei de um conselho: uma coisa move uns, outra move outros, e em geral pequenos detalhes acarretam as maiores consequências. São variados os juízos dos homens, variadas as vontades. Daí que os que ouviram a mesma causa ao mesmo tempo muitas vezes pensam de modo diverso, às vezes o mesmo, mas a partir de motivos diversos da alma.
Além disso, cada um favorece a própria descoberta e a abraça como a mais forte quando algo que ele mesmo previu foi dito por outro. A todos, portanto, deve-se dar algo a que se agarrem, algo que reconheçam.
Disse-me uma vez Régulo, quando atuávamos juntos: 'Tu achas que se deve perseguir tudo o que na causa; eu, logo, vejo a jugular e a aperto.' Aperta, de fato, o que escolhe, mas na escolha erra com frequência.
Respondi que podia acontecer de ser o joelho ou o tornozelo onde ele julgava ser a jugular. Mas eu, disse, que não consigo enxergar a jugular, tudo experimento, tudo tento, em suma, não deixo pedra sobre pedra;
e, como no cultivo do campo não cuido e trabalho as vinhas, mas também os pomares, e não os pomares mas também os campos, e nos próprios campos não semeio o trigo ou a sêmola, mas também a cevada, a fava e as demais leguminosas, assim, na atuação, espalho mais largamente como que sementes diversas, para colher o que vingar.
Pois os ânimos dos juízes não são menos impenetráveis, incertos e enganosos do que os das tempestades e dos terrenos. E não me escapa que o sumo orador Péricles é assim louvado pelo cômico Eupólis: 'e, além de sua rapidez, certa Persuasão pousava em seus lábios. Assim encantava, e, único entre os oradores, deixava o aguilhão nos que o ouviam.'
Mas a este próprio Péricles nem aquela Persuasão nem aquele encanto teriam tocado pela brevidade, pela rapidez ou por ambas (pois são coisas diferentes), sem uma capacidade suprema. Pois deleitar e persuadir exige abundância e amplidão de palavra; mas deixar o aguilhão nos ânimos dos ouvintes consegue quem não fere de leve, mas crava.
Acrescente o que outro cômico diz do mesmo Péricles: 'relampejava, trovejava, revolvia a Hélade.' Pois não é o discurso amputado e cortado, mas o amplo, magnífico e elevado, que troveja, fulgura e enfim tudo revolve e mistura.
'Mas a melhor medida é o meio termo.' Quem nega? Mas não o observa menos quem fica abaixo do tema do que quem fica acima, quem fala de modo mais cerrado do que quem fala de modo mais difuso.
Por isso você ouve com frequência tanto aquilo, 'desmedido e redundante', quanto isto, 'seco e fraco'. De um se diz que excedeu a matéria, de outro que não a preencheu. Erram igualmente, mas um peca por debilidade, o outro por excesso de força; e este, embora não seja o defeito de um talento mais apurado, é, ainda assim, o defeito de um talento maior.
Nem, ao dizer isto, aprovo aquele homérico de palavra desmedida, mas este: 'e palavras semelhantes aos flocos de neve de inverno'; não porque também aquele outro não me agrade muitíssimo: 'poucas, mas muito claras'. Se, no entanto, me for dada a escolha, quero aquele discurso semelhante às neves de inverno, isto é, denso e contínuo, mas também abundante e, enfim, divino e celeste.
'Mas para muitos é mais agradável a atuação breve.' É, mas para os indolentes, cujo capricho e preguiça é ridículo respeitar como se fosse juízo. Pois, se você os tiver no conselho, não é melhor falar pouco, mas não falar de modo algum.
Esta é até agora a minha opinião, que mudarei se você discordar; mas peço que explique claramente por que discorda. Pois, embora eu deva ceder à sua autoridade, julgo mais correto, em assunto tão grave, ser vencido pela razão do que pela autoridade.
Portanto, se não pareço errar, confirme isso mesmo numa carta tão breve quanto quiser, mas escreva (pois assim confirmará o meu juízo); se eu errar, prepare uma carta longuíssima. Acaso não o corrompi, ao impor a você a necessidade de uma carta breve se concordar comigo, e de uma longuíssima se discordar? Adeus.