Antiguidades Judaicas - Livro XV 1

Livro XV: Herodes, Mariane e o novo Templo

Sobre Pólio e Sameas. Herodes mata os principais amigos de Antígono e despoja a cidade de sua riqueza. Antônio decapita Antígono.

relatamos no livro anterior como Sóssio e Herodes tomaram Jerusalém à força e, além disso, como capturaram Antígono. Vamos agora prosseguir com a narrativa. Como Herodes tinha agora em suas mãos o governo de toda a Judeia, promoveu os cidadãos comuns que haviam ficado do seu lado, mas nunca parou de se vingar e de punir, dia após dia, aqueles que tinham escolhido apoiar seus inimigos. Pólio, o fariseu, e Sameas, discípulo dele, contudo, foram honrados por ele acima de todos os outros. Pois, durante o cerco de Jerusalém, eles aconselharam os cidadãos a receber Herodes, e por esse conselho foram bem recompensados. Esse Pólio, na época em que Herodes esteve uma vez sendo julgado por sua vida, havia predito, em tom de censura, a Hircano e aos outros juízes, que esse Herodes, a quem eles agora deixavam escapar, mais tarde aplicaria castigo a todos eles. Isso se cumpriu com o tempo, quando Deus realizou as palavras que ele havia falado.
Nessa época Herodes, com Jerusalém sob seu poder, levou embora todos os ornamentos reais e despojou os homens ricos do que tinham acumulado. Quando, por esses meios, reuniu uma grande quantidade de prata e ouro, entregou tudo a Antônio e aos amigos que o cercavam. Também matou quarenta e cinco dos principais homens do partido de Antígono e colocou guardas nos portões da cidade, para que nada fosse levado para fora junto com os corpos dos mortos. Eles ainda revistavam os mortos, e tudo o que encontravam de prata, ouro ou outro tesouro era levado ao rei. Não houve fim para as misérias que ele trouxe sobre eles. Essa aflição foi causada em parte pela ganância do príncipe reinante, que sempre queria mais, e em parte pelo ano sabático, que ainda estava em curso e forçava a terra a ficar sem cultivo, que somos proibidos de semear nossa terra naquele ano. Quando Antônio recebeu Antígono como seu prisioneiro, decidiu mantê-lo vivo para o seu triunfo. Mas, ao saber que a nação se tornava sediciosa e que, por ódio a Herodes, continuava a nutrir boa vontade por Antígono, resolveu decapitá-lo em Antioquia, pois de outro modo não havia como aquietar os judeus. Estrabão da Capadócia confirma o que afirmei, quando diz o seguinte: "Antônio ordenou que Antígono, o judeu, fosse levado a Antioquia e ali decapitado. Esse Antônio me parece ter sido o primeiro homem a decapitar um rei, supondo que não havia outro modo de dobrar a vontade dos judeus para que aceitassem Herodes, a quem ele tinha feito rei em seu lugar. Pois nenhum tormento conseguia forçá-los a chamá-lo de rei, tão grande era o apego que tinham ao seu antigo rei. Por isso ele pensou que essa morte desonrosa diminuiria o valor que davam à memória de Antígono e, ao mesmo tempo, reduziria o ódio que sentiam por Herodes." Até aqui Estrabão.