Antiguidades Judaicas - Livro XIV 6
Livro XIV: Pompeu, Roma e a ascensão de Herodes
Como Gabínio capturou Aristóbulo, depois que este fugiu de Roma, e o enviou de volta a Roma; e como esse mesmo Gabínio, ao voltar do Egito, venceu Alexandre e os nabateus em batalha.
Aristóbulo fugiu de Roma para a Judeia e tratou de reconstruir Alexandrium, que tinha sido recentemente demolida. Diante disso, Gabínio enviou soldados contra ele, sob o comando de Sisena, Antônio e Servílio, para impedi-lo de tomar posse do território e para capturá-lo novamente. De fato, muitos dos judeus correram para Aristóbulo, por causa de sua glória anterior e também porque se alegrariam com uma mudança de governo. Havia em Jerusalém um tal Pitolau, um oficial, que desertou para o lado dele com mil homens, embora boa parte dos que vieram não tivessem armas. Quando Aristóbulo decidiu marchar para Maquero, dispensou essa gente, porque estava desarmada e não lhe seria útil nas ações que pretendia empreender. Levou consigo oito mil homens armados e seguiu adiante. Os romanos atacaram com violência, e os judeus lutaram com bravura, mas foram derrotados na batalha. Combateram com ânimo, mas, dominados pelo inimigo, acabaram postos em fuga. Cerca de cinco mil deles foram mortos, e o restante, disperso, tentou como pôde salvar a própria vida. Ainda assim, Aristóbulo conservou consigo mais de mil homens, e com eles fugiu para Maquero, fortificando o lugar. Apesar do revés, mantinha boa esperança quanto aos seus planos. Mas, depois de resistir ao cerco durante dois dias e de receber muitos ferimentos, foi levado como cativo a Gabínio, junto com seu filho Antígono, que também tinha fugido de Roma com ele. Esse foi o destino de Aristóbulo, que foi reenviado a Roma e ali mantido preso. Tinha sido rei e sumo sacerdote por três anos e seis meses, e era de fato uma pessoa notável, de grande caráter. O senado, no entanto, deixou seus filhos partirem, pois Gabínio escreveu informando que tinha prometido isso à mãe deles quando ela lhe entregou as fortalezas. E assim eles voltaram para a Judeia.
Quando Gabínio fazia uma expedição contra os partos e já tinha atravessado o Eufrates, mudou de ideia e resolveu voltar ao Egito para restaurar Ptolomeu ao seu reino. Isso também já foi contado em outro lugar. Antípater, por sua vez, abasteceu de trigo, armas e dinheiro o exército que Gabínio enviou contra Arquelau. Fez ainda dos judeus que viviam acima de Pelúsio seus amigos e aliados, pois eles guardavam as passagens que davam acesso ao Egito. Mas, ao regressar do Egito, Gabínio encontrou a Síria em desordem, com revoltas e distúrbios, pois Alexandre, filho de Aristóbulo, tendo tomado o governo pela segunda vez à força, fez muitos judeus se rebelarem com ele. Assim, percorreu o território com um grande exército, matou todos os romanos que encontrou e passou a sitiar o monte chamado Gerizim, para onde eles tinham se refugiado.
Encontrando a Síria nesse estado, Gabínio enviou Antípater, homem prudente, aos rebeldes, para ver se conseguia curá-los daquela loucura e persuadi-los a voltar a uma disposição melhor. Quando chegou até eles, Antípater levou muitos a recuperar o bom senso e os convenceu a fazer o que deviam. Mas não conseguiu conter Alexandre, que tinha um exército de trinta mil judeus. Alexandre enfrentou Gabínio, travou batalha com ele, foi derrotado e perdeu dez mil de seus homens nas proximidades do monte Tabor.
Gabínio então organizou os assuntos relativos à cidade de Jerusalém, conforme a inclinação de Antípater, e marchou contra os nabateus, vencendo-os em batalha. Despediu também de modo amigável Mitrídates e Orsanes, desertores partos que tinham vindo até ele, embora corresse o boato de que tinham fugido dele. Depois de realizar feitos grandiosos e gloriosos na condução da guerra, Gabínio voltou a Roma e entregou o governo a Crasso. Nicolau de Damasco e Estrabão da Capadócia descrevem as expedições de Pompeu e de Gabínio contra os judeus, sem que nenhum dos dois diga algo novo que não esteja no outro.