Anais - Livro XV 4
A guerra parta, o grande incêndio de Roma e a perseguição aos cristãos
Sêneca respondeu que Natal lhe fora enviado e se queixara, em nome de Pisão, de que estava impedido de visitá-lo, e que ele próprio se desculpara alegando o estado de saúde e o apego à tranquilidade. Não tinha motivo para preferir a salvação de um homem particular à sua própria segurança, nem possuía índole pronta para a adulação. Ninguém sabia disso melhor que Nero, que mais vezes experimentara a liberdade de Sêneca do que a sua servidão. Quando o tribuno relatou essas palavras na presença de Popeia e de Tigelino, os mais íntimos conselheiros do príncipe em seus acessos de fúria, ele perguntou se Sêneca preparava uma morte voluntária. O tribuno então afirmou que não percebera nenhum sinal de medo, nada de triste nas palavras ou no semblante dele. Por isso recebeu ordem de voltar e anunciar a sentença de morte. Fábio Rústico conta que ele não regressou pelo caminho por onde viera, mas desviou-se até o prefeito Fênio e, expostas as ordens do César, perguntou se devia cumpri-las, e foi por ele advertido a executá-las, naquela covardia fatal que tomava a todos. Pois também Silvano estava entre os conjurados e ampliava os crimes em cuja vingança havia consentido. Ainda assim poupou a si mesmo a voz e o aspecto, e mandou a Sêneca um dos centuriões para lhe anunciar a sua última hora.
Sêneca, sem temor, pediu as tábuas do testamento; e, recusando-as o centurião, voltou-se para os amigos e, já que estava impedido de retribuir-lhes os méritos, declarou que lhes deixava a única coisa que ainda lhe restava, e a mais bela: a imagem da sua vida. Se a guardassem na memória, alcançariam a fama das boas artes e o fruto de uma amizade constante. Ao mesmo tempo, ora com palavras serenas, ora com tom mais firme, como quem repreende, chamava-os de volta das lágrimas à firmeza, perguntando-lhes onde estavam os preceitos da sabedoria, onde a razão meditada por tantos anos contra os males iminentes. A quem fora desconhecida a crueldade de Nero? Depois de mortos a mãe e o irmão, nada restava senão acrescentar o assassínio do seu educador e mestre.
Depois de discorrer sobre essas e outras coisas semelhantes, como se falasse a todos, abraçou a esposa e, abrandando-se um pouco da firmeza que o momento exigia, pediu e implorou que ela moderasse a dor e não a guardasse para sempre, mas que, na contemplação de uma vida vivida com virtude, suportasse a falta do marido com consolos honrosos. Ela, ao contrário, afirmou que também a morte estava destinada a si e exigiu a mão do executor. Sêneca, então, não se opondo à glória dela e, ao mesmo tempo, por amor, para não deixar exposta a ultrajes a mulher que tanto amava, disse: "Eu te mostrara os alívios da vida; tu preferes a honra da morte: não invejarei o teu exemplo. Que a firmeza diante de um fim tão corajoso seja igual em ambos, mas que haja mais glória no teu fim." Em seguida, com um único golpe, abriram os braços com o ferro. Sêneca, como seu corpo envelhecido e debilitado pela dieta frugal deixava o sangue escapar lentamente, cortou também as veias das pernas e dos joelhos; e, exausto por cruéis tormentos, para não abater com o próprio sofrimento o ânimo da esposa e para que ele mesmo, ao ver os tormentos dela, não caísse na fraqueza, persuadiu-a a retirar-se para outro aposento. E mesmo no último instante, com a eloquência ainda à disposição, convocou os secretários e ditou-lhes muitas coisas que, já divulgadas ao público em suas próprias palavras, me abstenho de reproduzir.
Nero, por outro lado, não tendo ódio particular contra Paulina e para que não crescesse a má fama da sua crueldade, ordenou que se impedisse a morte dela. Por incentivo dos soldados, os escravos e os libertos ligaram-lhe os braços e estancaram o sangue, sem que se saiba se ela disso teve consciência. Pois, como o vulgo está sempre pronto a crer no pior, não faltaram os que pensaram que, enquanto temera a implacabilidade de Nero, ela buscara a fama de uma morte partilhada com o marido, mas que depois, surgida uma esperança mais branda, fora vencida pelos atrativos da vida. A esses anos acrescentou ainda alguns poucos, com uma memória louvável do marido e com o rosto e os membros tão pálidos a ponto de mostrar quanto do sopro vital se esvaíra. Sêneca, entretanto, como a morte se arrastava lenta e demorada, pediu a Estácio Aneu, em quem há muito confiava pela fidelidade da amizade e pela arte da medicina, que lhe trouxesse o veneno preparado tempos antes, aquele com que se davam por mortos os condenados pelo julgamento público dos atenienses; e, trazido, bebeu-o em vão, pois já tinha os membros frios e o corpo fechado contra a força do veneno. Por fim, entrou num tanque de água quente e, aspergindo os escravos mais próximos, acrescentou que oferecia aquele líquido em libação a Júpiter Libertador. Em seguida, levado ao banho e sufocado pelo vapor dele, foi cremado sem nenhuma solenidade fúnebre. Assim ordenara num codicilo, quando, ainda riquíssimo e poderosíssimo, já pensava no seu fim.
Houve um rumor de que Subrio Flavo, em consulta secreta com os centuriões, ainda que não sem o conhecimento de Sêneca, planejara que, depois de morto Nero pela ação de Pisão, também Pisão fosse assassinado e o império entregue a Sêneca, como homem escolhido por todos os íntegros pela glória de suas virtudes para o mais alto posto. Divulgava-se até uma frase de Flavo: que pouco importava à desonra trocar um citaredo por um ator trágico, pois, assim como Nero cantava ao som da cítara, também Pisão cantava em traje de tragédia.
Quanto ao mais, também a conspiração dos militares não permaneceu oculta por muito tempo, pois os delatores se inflamaram em denunciar Fênio Rufo, a quem não suportavam ver ao mesmo tempo cúmplice e investigador. Por isso, diante de suas ameaças e insistências, Cévino, sorrindo, disse que ninguém sabia mais do que ele próprio, e ainda o exortou a retribuir o favor a tão bom príncipe. Fênio não conseguiu opor a isso nem palavra nem silêncio: tropeçando nas próprias palavras e visivelmente tomado de pavor, enquanto os demais, e sobretudo o cavaleiro romano Cervário Próculo, se esforçavam por incriminá-lo, foi, por ordem do imperador, agarrado e amarrado por Cássio, um soldado que estava de guarda por causa de sua notável força física.
Logo depois, pela denúncia dos mesmos homens, o tribuno Subrio Flavo foi perdido. Primeiro recorreu, em sua defesa, ao contraste de caráter, alegando que ele, homem armado, jamais se associaria a um crime tão grande com homens desarmados e efeminados; depois, ao ser pressionado, abraçou a glória de uma confissão. Interrogado por Nero sobre que motivos o haviam levado a esquecer o juramento militar, respondeu: "Eu te odiava, e nenhum soldado te foi mais fiel enquanto mereceste ser amado. Comecei a odiar-te depois que te tornaste assassino da mãe e da esposa, cocheiro, ator e incendiário." Reproduzi as próprias palavras, porque elas não foram divulgadas como as de Sêneca, e não era menos digno conhecer os sentimentos rudes e vigorosos de um homem militar. Ficou claro que, em toda aquela conjuração, nada caiu mais pesado aos ouvidos de Nero, que, tão pronto a cometer crimes, era pouco acostumado a ouvir o que cometia. O castigo de Flavo foi entregue ao tribuno Veiânio Nigro. Este mandou cavar uma cova num campo próximo, que Flavo, criticando-a por baixa e estreita, disse aos soldados ao redor: "Nem isto está conforme a disciplina." E, advertido a estender com firmeza o pescoço, exclamou: "Quem dera tu firas com a mesma firmeza!" E aquele, tremendo muito, depois de cortar a cabeça com dificuldade em dois golpes, ainda se gabou da sua crueldade diante de Nero, dizendo que o havia matado com um golpe e meio.
O exemplo de firmeza imediatamente seguinte foi dado pelo centurião Sulpício Áspero, que, perguntando-lhe Nero por que conspirara para matá-lo, respondeu brevemente que de nenhum outro modo se poderia remediar tantas infâmias suas; em seguida sofreu o castigo determinado. Nem os demais centuriões degeneraram ao suportar os suplícios; mas Fênio Rufo não teve igual ânimo, e até lançou no testamento as suas lamentações. Nero esperava que também o cônsul Vestino fosse arrastado para a acusação, pois o julgava homem violento e hostil; mas os conjurados não tinham partilhado seus planos com Vestino, alguns por antigas inimizades contra ele, a maioria porque o consideravam impetuoso e insociável. Por outro lado, o ódio de Nero contra Vestino nascera de uma íntima convivência, pois este desprezava a covardia do príncipe, que conhecia a fundo, e aquele temia a ferocidade do amigo, muitas vezes ridicularizado por gracejos ásperos que, quando tiram muito da verdade, deixam uma memória amarga. Acrescentara-se uma causa recente: Vestino unira em matrimônio consigo Estatília Messalina, não ignorando que entre os amantes dela estava também o César.
Portanto, não havendo crime nem acusador, e como não podia assumir a aparência de juiz, Nero voltou-se para a força da tirania e enviou o tribuno Gerelano com uma coorte de soldados, ordenando que se antecipasse aos intentos do cônsul, ocupasse o que se poderia chamar de sua fortaleza e esmagasse a escolhida juventude, pois Vestino possuía uma casa que dominava o Foro e escravos belos e da mesma idade. Naquele dia ele cumprira todos os deveres de cônsul e celebrava um banquete, sem temer nada, ou dissimulando o medo, quando os soldados entraram e lhe disseram que o tribuno o chamava. Sem nenhuma demora, ergueu-se, e tudo se apressou ao mesmo tempo: foi fechado no aposento, o médico estava presente, abriram-lhe as veias e, ainda cheio de vigor, foi levado ao banho e mergulhado em água quente, sem proferir uma só palavra de pena de si mesmo. Entretanto, foram cercados por guarda os que com ele se haviam reclinado à mesa, e só foram liberados em hora avançada da noite, depois que Nero, imaginando e zombando do pavor deles, que à mesa esperavam a morte, disse que já haviam pagado castigo suficiente pelo banquete consular.
Em seguida ordenou a morte de Aneu Lucano. Quando, escorrendo-lhe o sangue, ele sentiu esfriarem os pés e as mãos e a vida pouco a pouco recuar das extremidades, ainda com o peito quente e a mente lúcida, recordou um poema que ele próprio compusera, no qual descrevera um soldado ferido morrendo de morte semelhante, e recitou os próprios versos. Essa foi a sua última palavra. Depois dele pereceram Senecião, Quintiano e Cévino, não com a fraqueza da vida anterior; em seguida morreram os demais conjurados, sem nenhum feito ou dito digno de memória.
Mas a cidade enchia-se entretanto de funerais, e o Capitólio de vítimas; um, morto o filho; outro, morto o irmão, um parente ou um amigo, davam graças aos deuses, enfeitavam a casa com louros, lançavam-se aos joelhos do próprio príncipe e lhe cansavam a mão direita com beijos. E ele, julgando que aquilo era alegria, recompensou com a impunidade as denúncias apressadas de Antônio Natal e de Cervário Próculo. Mílico, enriquecido com prêmios, tomou para si o nome de conservador, na sua forma grega. Dos tribunos, Gávio Silvano, embora absolvido, morreu por sua própria mão; Estácio Próximo corrompeu, com um fim insensato, o perdão que recebera do imperador. Despojados em seguida do tribunato, Pompeu, Cornélio Marcial, Flávio Nepos e Estácio Domício, não por de fato odiarem o príncipe, mas por assim serem julgados. A Nóvio Prisco, pela amizade com Sêneca, e a Glício Galo e Ânio Polião, mais difamados do que convictos, foram dados exílios. Prisco foi acompanhado pela esposa Artória Flacila, e Galo por Egnácia Maximila, primeiro com grandes e intactos bens, depois com eles confiscados; ambas as circunstâncias aumentaram a glória dela. Foi também banido Rúfrio Crispino, com o pretexto da conjuração, mas odioso a Nero porque tempos antes tivera Popeia em matrimônio. A Vergínio Flavo e Musônio Rufo expulsou a fama de seu nome: pois Vergínio estimulava os estudos dos jovens com a eloquência, e Musônio com os preceitos da sabedoria. A Cluvidieno Quieto, Júlio Agripa, Blício Catulino, Petrônio Prisco e Júlio Altino, gente comum por assim dizer, foram concedidas ilhas do mar Egeu. Já Cedícia, esposa de Cévino, e Cesênio Máximo foram proibidos de viver na Itália, e o único castigo provou que tinham sido acusados. Acília, mãe de Aneu Lucano, foi ignorada, sem absolvição e sem suplício.
Realizadas essas coisas, Nero, reunidos os soldados, distribuiu a cada um dois mil sestércios e acrescentou trigo sem cobrança, do qual antes dispunham ao preço de mercado. Então, como se fosse expor feitos de guerra, convocou o senado e concedeu honras triunfais ao ex-cônsul Petrônio Turpiliano, ao pretor designado Cocceio Nerva e a Tigelino, prefeito do pretório, distinguindo Tigelino e Nerva de tal modo que, além das imagens triunfais no Foro, colocou também suas efígies no Palácio. Concedeu as insígnias consulares a Nínfidio; e, já que ele agora surge pela primeira vez, direi poucas palavras, pois também ele será parte das calamidades de Roma. Filho de uma liberta que prostituíra seu corpo formoso entre os escravos e libertos dos príncipes, dizia ter sido gerado por Caio César, porque por acaso era de estatura alta e de semblante feroz, ou talvez porque Caio César, ávido também de meretrizes, se divertira igualmente com a mãe dele.
Mas Nero, convocado o senado e proferido um discurso entre os patrícios, acrescentou um edito ao povo, com as provas reunidas em registros e as confissões dos condenados. Pois era constantemente atacado pelo boato do vulgo, como se houvesse exterminado homens ilustres e inocentes por inveja ou medo. No entanto, que a conjuração começara, amadurecera e fora plenamente comprovada, nem então duvidaram os que se empenhavam em conhecer a verdade, e o confessam os que, depois da morte de Nero, regressaram à cidade. Mas no senado, tendo todos, sobretudo os que mais tinham motivo de luto, se rebaixado à adulação, Saliêno Clemente atacou Júnio Galião, aterrorizado pela morte do irmão Sêneca e suplicante por sua própria segurança, chamando-o de inimigo e parricida, até que foi contido pelo consenso dos patrícios, para que não parecesse abusar das desgraças públicas como ocasião de ódio privado, nem trazer de volta para uma nova crueldade o que a clemência do príncipe havia composto ou apagado.
Então foram decretados dons e ações de graças aos deuses, e uma honra especial ao Sol, que tem um antigo templo junto ao circo onde se tramava o crime, por ter desvendado, com seu poder, os segredos da conjuração; e decretou-se que os jogos do circo em honra de Ceres fossem celebrados com mais corridas de cavalos, e que o mês de abril recebesse o nome de Nero; e que se erguesse um templo à Salvação no lugar de onde Cévino tirara o ferro. Ele próprio consagrou aquele punhal no Capitólio e gravou nele a inscrição "A Júpiter Vingador": no momento, isso não foi notado; depois, com a guerra de Júlio Víndex, foi interpretado como augúrio e presságio da vingança futura. Encontro nos registros do senado que o cônsul designado Cerial Anício propôs, em seu voto, que se erguesse o quanto antes, com dinheiro público, um templo ao divino Nero. Com isso ele decretava, na verdade, que o príncipe ultrapassara a grandeza mortal e merecia a veneração dos homens; mas ele próprio o proibiu, para que não fosse interpretado por alguns como mau presságio do seu próprio fim: pois a honra divina não se concede ao príncipe antes que ele tenha deixado de viver entre os homens.