Meditações 1

O caderno pessoal do imperador-filósofo Marco Aurélio (séc. II): anotações estoicas sobre o dever, a razão, a aceitação do destino e a brevidade da vida

De Sexto aprendi a benevolência e o exemplo de uma casa governada como um pai governa, e a ideia de viver de acordo com a Natureza. Aprendi a ter dignidade sem afetação, a cuidar com atenção dos interesses dos amigos, a suportar os ignorantes e os que opinam sem pensar. Ele sabia se adaptar a todos, e a conversa com ele era mais agradável que qualquer bajulação, ao mesmo tempo em que era profundamente respeitado por quem convivia com ele. Sabia descobrir e organizar, de modo inteligente e ordenado, os princípios necessários para a vida. Nunca demonstrava raiva ou qualquer outra paixão, mas era totalmente livre delas e, ao mesmo tempo, muito afetuoso. Sabia elogiar sem alarde e tinha muito conhecimento sem ostentação.