Imitação de Cristo - Livro III 9

Livro III: a consolação interior, em diálogo entre Cristo e o discípulo

Que tudo deve ser referido a Deus como ao fim último

Filho, eu devo ser o teu fim supremo. Por esta intenção se purificará o teu afeto, tantas vezes mal inclinado para si mesmo e para as criaturas. Pois se em alguma coisa buscas a ti mesmo, logo desfaleces e secas em ti. Refere, portanto, todas as coisas principalmente a mim, que sou tudo, que tudo dei. Considera cada coisa como que manando do sumo bem. E por isso tudo deve ser referido a mim como à sua origem.
De mim o pequeno e o grande, o pobre e o rico, como de uma fonte viva, haurem água viva. E os que de boa vontade e livremente me servem receberão graça por graça. Mas quem quiser gloriar-se fora de mim, ou deleitar-se em algum bem próprio, não se firmará na verdadeira alegria, nem se dilatará em seu coração, mas de muitos modos será impedido e angustiado. Nada, pois, do bem deves atribuir a ti, nem atribuir virtude a algum homem, mas tudo a Deus, sem o qual o homem nada tem. Eu dei tudo, eu quero reaver tudo, e com grande rigor exijo as ações de graças.
Esta é a verdade pela qual se afugenta a vaidade da glória. E se entrar a graça celeste e a verdadeira caridade, não haverá inveja alguma, nem aperto do coração, nem o amor próprio o ocupará. Pois a caridade divina vence todas as coisas e dilata todas as forças da alma. Se sabes corretamente, somente em mim te alegrarás, somente em mim esperarás, porque ninguém é bom senão Deus, que é louvável sobre todas as coisas e bendito em todas elas.