Imitação de Cristo - Livro III 38

Livro III: a consolação interior, em diálogo entre Cristo e o discípulo

Que não se deve ser inquieto nos negócios

Filho, confia sempre a mim a tua causa, que eu a disporei bem em seu devido tempo. Espera pela minha disposição e sentirás daí o teu proveito.
Senhor, de bom grado confio a Vós todas as coisas, pois pouco pode aproveitar o meu pensamento. Quisera eu não me prender tanto aos acontecimentos futuros, mas oferecer-me sem demora ao vosso beneplácito.
Filho meu, muitas vezes o homem se agita por alguma coisa que deseja; mas, quando a alcança, começa a sentir de outro modo, porque as afeições em torno de uma mesma coisa não são duradouras, mas antes nos impelem de uma para outra. Não é, pois, pequena coisa renunciar a si mesmo até nas coisas mínimas.
O verdadeiro proveito do homem está na renúncia de si mesmo, e o homem que a si renuncia é muito livre e seguro. Mas o antigo inimigo, adversário de todos os bens, não cessa de tentar, e dia e noite arma graves ciladas, para ver se acaso pode precipitar no laço da decepção o incauto. Vigiai e orai, diz o Senhor, para que não entreis em tentação.