A Origem das Espécies - Capítulo XII: Distribuição Geográfica 1
Distribuição Geográfica
Centros Únicos de Suposta Criação. Somos assim levados à questão muito discutida pelos naturalistas, ou seja, se as espécies foram criadas em um ou em vários pontos da superfície da Terra. Sem dúvida há muitos casos de extrema dificuldade em entender como a mesma espécie poderia ter migrado de algum ponto único para os vários pontos distantes e isolados em que hoje é encontrada. Mesmo assim, a simplicidade da ideia de que cada espécie foi produzida pela primeira vez dentro de uma única região cativa a mente. Quem a rejeita, rejeita a vera causa da geração comum com migração posterior, e recorre à ação de um milagre. É universalmente admitido que, na maioria dos casos, a área habitada por uma espécie é contínua. E quando uma planta ou um animal habita dois pontos tão distantes entre si, ou com um intervalo de natureza tal que o espaço não poderia ter sido facilmente transposto por migração, o fato é apresentado como algo notável e excepcional. A incapacidade de migrar através de um mar largo é mais clara no caso dos mamíferos terrestres do que talvez em qualquer outro ser orgânico. E, de fato, não encontramos casos inexplicáveis dos mesmos mamíferos habitando pontos distantes do mundo. Nenhum geólogo sente qualquer dificuldade em a Grã-Bretanha possuir os mesmos quadrúpedes que o resto da Europa, pois, sem dúvida, ela já esteve unida ao continente. Mas, se a mesma espécie pode ser produzida em dois pontos separados, por que não encontramos um único mamífero comum à Europa e à Austrália ou à América do Sul? As condições de vida são quase as mesmas, tanto que uma multidão de animais e plantas europeus se naturalizou na América e na Austrália, e algumas das plantas nativas são exatamente as mesmas nesses pontos distantes dos hemisférios norte e sul. A resposta, na minha opinião, é que os mamíferos não conseguiram migrar, ao passo que algumas plantas, graças a seus variados meios de dispersão, migraram através dos amplos e fragmentados espaços intermediários. A grande e marcante influência das barreiras de todo tipo só faz sentido se admitirmos que a grande maioria das espécies foi produzida de um lado e não conseguiu migrar para o lado oposto. Algumas poucas famílias, muitas subfamílias, muitíssimos gêneros e um número ainda maior de seções de gêneros ficam confinados a uma única região. E vários naturalistas observaram que os gêneros mais naturais, ou aqueles em que as espécies são mais estreitamente aparentadas entre si, em geral ficam confinados ao mesmo território, ou, se têm ampla distribuição, essa distribuição é contínua. Que estranha anomalia seria se uma regra diretamente oposta prevalecesse quando descêssemos um degrau na série, ou seja, até os indivíduos de uma mesma espécie, e estes não tivessem ficado, ao menos no início, confinados a alguma região única!