A Origem das Espécies - Capítulo IV: A Seleção Natural, ou a Sobrevivência do Mais Apto 8
A Seleção Natural
As afinidades de todos os seres de uma mesma classe têm sido às vezes representadas por uma grande árvore. Acredito que essa comparação diz, em grande medida, a verdade. Os ramos verdes e em botão podem representar as espécies existentes; e os que brotaram em anos passados podem representar a longa sucessão de espécies extintas. Em cada período de crescimento, todos os ramos em desenvolvimento tentaram se ramificar por todos os lados e suplantar e matar os ramos e galhos vizinhos, do mesmo modo que espécies e grupos de espécies, em todas as épocas, dominaram outras espécies na grande batalha pela vida. Os troncos que se dividiram em grandes galhos, e estes em galhos cada vez menores, foram eles próprios, quando a árvore era jovem, ramos em botão. E essa ligação entre os botões de antes e os de agora, por galhos que se ramificam, bem pode representar a classificação de todas as espécies extintas e vivas em grupos subordinados a grupos. Dos muitos ramos que floresceram quando a árvore não passava de um arbusto, apenas dois ou três, agora transformados em grandes galhos, ainda sobrevivem e sustentam os outros galhos. Assim ocorre com as espécies que viveram durante períodos geológicos remotos: pouquíssimas deixaram descendentes vivos e modificados. Desde o primeiro crescimento da árvore, muitos troncos e galhos apodreceram e caíram. E esses galhos caídos, de vários tamanhos, podem representar aquelas ordens, famílias e gêneros inteiros que hoje não têm representantes vivos e que conhecemos apenas em estado fóssil. Assim como aqui e ali vemos um galho fino e desgarrado brotando de uma bifurcação baixa de uma árvore, que por algum acaso foi favorecido e ainda está vivo no topo, vemos também, de quando em quando, um animal como o Ornithorhynchus ou o Lepidosiren, que em pequeno grau liga, por suas afinidades, dois grandes ramos da vida, e que aparentemente foi salvo da competição fatal por ter habitado uma posição protegida. Assim como os botões, ao crescer, dão origem a novos botões, e estes, se vigorosos, se ramificam e suplantam por todos os lados muitos galhos mais frágeis, assim também, pela geração, creio que se passou com a grande Árvore da Vida, que preenche com seus galhos mortos e quebrados a crosta da terra e cobre a superfície com suas belas ramificações sempre crescentes.