Testamentos dos Doze Patriarcas 1
Os discursos de despedida dos doze filhos de Jacó (Rúben a Benjamim), pseudepígrafo judaico do séc. II a.C. com camadas cristãs
Testamento de Rúben, capítulo 1
A cópia do Testamento de Rúben, ou seja, as ordens que ele deu aos seus filhos antes de
morrer, no centésimo vigésimo quinto ano de sua vida. Dois anos depois da morte de José, seu
irmão, quando Rúben adoeceu, seus filhos e os filhos de seus filhos se reuniram para visitá-lo. E
ele lhes disse: Meus filhos, eis que estou morrendo e sigo o caminho de meus pais. E, vendo ali Judá, Gade e Aser, seus irmãos, disse-lhes: Levantem-me, para que eu conte aos meus irmãos e aos meus filhos as coisas que escondi em meu coração, pois eis que agora, enfim,
estou partindo. E ele se levantou, beijou-os e lhes disse: Ouçam, meus irmãos, e
vocês, meus filhos, deem atenção a Rúben, pai de vocês, nas ordens que lhes dou. E eis que neste dia chamo a testemunhar contra vocês o Deus do céu, para que não andem nos pecados da
juventude e na devassidão, em que me derramei e profanei o leito de meu pai Jacó. E lhes digo que ele me feriu com uma chaga dolorosa nos meus lombos por sete meses; e, se meu pai
Jacó não tivesse orado por mim ao Senhor, o Senhor teria me destruído. Pois eu tinha trinta anos
quando pratiquei o mal diante do Senhor, e por sete meses fiquei doente até a morte. E
depois disso me arrependi, com firme propósito de minha alma, por sete anos diante do Senhor. E não bebi vinho nem bebida forte, e carne não entrou na minha boca, e não comi alimento agradável; mas chorei sobre o meu pecado, pois ele era grande, como nunca houvera em Israel.