Evangelho do Pseudo-Mateus 39
Compilação latina medieval atribuída falsamente a Mateus por uma correspondência apócrifa com Jerônimo. Reúne o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho da Infância de Tomé e acrescenta cenas que moldaram a arte do Ocidente: o boi e o jumento na manjedoura, os dragões e feras que adoram o menino, a palmeira que se curva e a queda dos ídolos do Egito
Jesus lê na escola pelo Espírito e o mestre o adora
Novamente os judeus pediram a Maria e a José, pela terceira vez, que persuadissem Jesus a ir até outro mestre para aprender. E José e Maria, temendo o povo, a arrogância dos príncipes e as ameaças dos sacerdotes, levaram-no de novo à escola, sabendo que ele nada poderia aprender dos homens, porque tinha conhecimento perfeito que vinha somente de Deus.
E quando Jesus entrou na escola, conduzido pelo Espírito Santo, tomou o livro da mão do mestre que ensinava a lei e, à vista e aos ouvidos de todo o povo, começou a ler, não de fato o que estava escrito no livro deles, mas falou no Espírito do Deus vivo, como se uma corrente de água jorrasse de uma fonte viva, e a fonte permanecesse sempre cheia.
E com tal poder ensinou ao povo as grandes coisas do Deus vivo, que o próprio mestre caiu por terra e o adorou. E o coração do povo, que estava sentado e o ouvia dizer tais coisas, encheu-se de espanto.
E quando José soube disso, veio correndo até Jesus, temendo que o próprio mestre estivesse morto. E quando o mestre o viu, disse-lhe: Não me deste um aluno, mas um mestre; e quem pode resistir às suas palavras?
Então se cumpriu o que foi dito pelo salmista: O rio de Deus está cheio de água; tu lhes preparas o trigo, pois assim é o seu sustento.