Evangelho do Pseudo-Mateus 15
Compilação latina medieval atribuída falsamente a Mateus por uma correspondência apócrifa com Jerônimo. Reúne o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho da Infância de Tomé e acrescenta cenas que moldaram a arte do Ocidente: o boi e o jumento na manjedoura, os dragões e feras que adoram o menino, a palmeira que se curva e a queda dos ídolos do Egito
A circuncisão de Jesus e a apresentação no templo: Simeão e Ana
No sexto dia entraram em Belém, onde passaram o sétimo dia. E no oitavo dia circuncidaram o menino e lhe deram o nome de Jesus, pois assim fora chamado pelo anjo antes de ser concebido no ventre.
Ora, depois que se cumpriram os dias da purificação de Maria segundo a lei de Moisés, José levou o menino ao templo do Senhor. E quando o menino recebeu o parhithomus, isto é, a circuncisão, ofereceram por ele um par de rolas ou dois pombinhos.
Havia no templo um homem de Deus, perfeito e justo, cujo nome era Simeão, de cento e doze anos de idade. Ele recebera a resposta do Senhor de que não provaria a morte até ter visto Cristo, o Filho de Deus, vivendo em carne.
E tendo visto o menino, exclamou em alta voz, dizendo: Deus visitou o seu povo, e o Senhor cumpriu a sua promessa. E apressou-se e o adorou.
Depois disso o tomou em seu manto e lhe beijou os pés, e disse: Senhor, agora deixas partir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos, para ser luz que ilumine as nações e glória do teu povo Israel.
Havia também no templo do Senhor uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, que vivera com seu marido sete anos depois da sua virgindade, e que agora era viúva havia oitenta e quatro anos. E ela nunca deixava o templo do Senhor, mas passava o tempo em jejum e oração.
Ela igualmente adorou o menino, dizendo: Nele está a redenção do mundo.