Livro dos Gigantes 1

Obra enoquita fragmentária (Qumran e versão maniqueia): os gigantes filhos dos Vigilantes, seus sonhos e o juízo anunciado por Enoque

Abertura (síntese): A descida dos Vigilantes e o nascimento dos gigantes

Os Vigilantes desceram do céu para a terra e tomaram mulheres entre as filhas dos homens. Delas geraram os gigantes. [...] revelaram segredos que não deviam ser revelados, e a violência se espalhou. (Esta abertura junta o que vários fragmentos pressupõem; o texto contínuo não sobreviveu.)

4Q531: A corrupção da terra e os gigantes monstruosos

[...] eles corromperam a terra. Geraram gigantes, e dos gigantes saíram criaturas monstruosas. [...] devoraram [...] muitos [...] e a carne [...] [...]. (vestígios)

1Q23: Os duzentos e a transgressão da ordem criada (vestígios)

[...] duzentos [...] escolheram dentre todo tipo de animal [...] e cometeram [...] contra a ordem das coisas. [...] (O número duzentos ecoa os duzentos Vigilantes da tradição enoquita; o fragmento aqui é muito quebrado.)

4Q531: O lamento do gigante, forte entre os homens, impotente diante do céu

Então um deles falou e disse: eu sou um gigante, e pela força do meu braço e pelo meu próprio vigor eu desafiei todo ser de carne. Mas agora [...] não consigo me firmar contra eles, pois os que me acusam [...] habitam nos céus, e moram com os santos. [...] eles são mais fortes do que eu. (vestígios)

4Q531: O nome de Gilgamesh entre os gigantes (vestígios)

[...] a fera selvagem veio [...] e os homens me chamaram [...] Gilgamesh. [...] (O nome do herói mesopotâmico Gilgamesh aparece entre os gigantes; traços do contexto restam.)

4Q203: O nome de Hobabis (Humbaba) (vestígios)

[...] Hobabis [...]. (Apenas o nome do monstro, ligado ao Humbaba do épico mesopotâmico, sobrevive neste ponto; nada do episódio se preservou.)

Fragmentos maniqueus: A mulher roubada e a guerra entre os gigantes

Um gigante roubou a mulher de outro, e por causa disso irrompeu a luta entre eles. [...] começaram a matar uns aos outros e [...]. (Episódio atestado sobretudo nos fragmentos maniqueus; aqui resumido sem o seu texto.)

4Q530: Diálogo de Ohiá e Aiá sobre a destruição vindoura

Ohiá disse a Aiá, seu irmão: [...] sobre a face da terra, e [...] toda a terra [...]. E eles choraram diante de [...]. (vestígios de um diálogo entre os dois irmãos sobre a destruição que se aproxima.)

4Q530: Ohiá relata um sonho aterrador (vestígios)

Eu tive um sonho, e o sono dos meus olhos fugiu, para que eu visse uma visão. Agora sei que sobre [...] Ohiá [...]. (Ohiá relata um sonho aterrador, mas o conteúdo da visão se perdeu na lacuna.)

4Q530: O sonho do jardim, as duzentas árvores consumidas por água e fogo

Na visão, eis um jardim, e jardineiros que o regavam. Brotaram dele duzentas árvores e grandes rebentos saíram da sua raiz. [...] Toda a água [...] e o fogo queimou todo o jardim. (O sonho de Aiá: o jardim das duzentas árvores, lido como os Vigilantes e seus filhos, consumido por água e fogo.)

2Q26: O sonho da tábua na água, apagados todos os nomes, menos três

Outra visão: uma tábua foi mergulhada na água. Quando a tiraram, todos os nomes haviam sido apagados, restando apenas três nomes. [...] (Sonho entendido pelos estudiosos como o dilúvio que destrói tudo, menos Noé e seus filhos.)

6Q8: Os três rebentos poupados (vestígios)

[...] três rebentos [...] foram poupados [...]. (Fragmento brevíssimo que parece confirmar a sobrevivência de três, isto é, os três filhos de Noé.)

4Q530: Os gigantes aterrorizados enviam Mahawai a Enoque

Então todos os gigantes e os Vigilantes ficaram aterrorizados. Chamaram Mahawai e ele veio até eles. Os gigantes lhe pediram que fosse [...] e que consultasse Enoque, o escriba, para que lhes interpretasse os sonhos. (vestígios)

4Q530 e fragmentos maniqueus: A viagem aérea de Mahawai através do deserto

Mahawai levantou-se no ar como [...] e voou com as próprias mãos, guiando-se como uma ave. Deixou para trás [...] a terra habitada e atravessou o deserto, a grande solidão. [...] e avistou Enoque. (A viagem aérea de Mahawai a Enoque é atestada nos fragmentos aramaicos e maniqueus; detalhes intermediários estão perdidos.)

4Q530: Mahawai diante de Enoque, expondo os sonhos (vestígios)

Mahawai chamou, e Enoque ouviu a sua voz e lhe disse: [...]. E Mahawai expôs diante dele os sonhos dos gigantes, e pediu interpretação. (vestígios)

4Q530: A tábua-resposta de Enoque dirigida a Semihazá

Enoque, o escriba, escreveu uma cópia da tábua e a enviou. Eis o teor da mensagem: a Semihazá e a todos os seus companheiros. [...] saibam que [...] os vossos atos e os dos vossos filhos [...]. (A carta de Enoque é dirigida a Semihazá, o chefe dos Vigilantes.)

4Q530: O anúncio do juízo, vocês não terão paz nem escape

Vocês não terão paz. [...] Vão ver a destruição dos vossos filhos, e chorarão [...]. Não haverá para vocês fuga nem escape, pois [...]. (Anúncio do juízo aos Vigilantes e aos gigantes; o tom é de sentença firme, conforme os fragmentos preservados.)

4Q530: Resquício de um chamado ao arrependimento (vestígios)

Roguem [...] e afrouxem os laços que os prendem ao mal [...] e orem. (Resquício de um possível chamado ao arrependimento, em meio à sentença; muito fragmentário.)

4Q530: O anúncio do dilúvio que destrói todo ser vivo

[...] virá uma grande inundação [...] e destruirá todo ser vivo, tudo o que na terra seca e nas águas e nos montes. [...] (Anúncio do dilúvio que encerra a obra na ordem narrativa reconstruída; o final aramaico não se preservou completo.)