Evangelho da Infância de Tomé 7
Evangelho apócrifo do séc. II sobre os milagres do menino Jesus entre os cinco e os doze anos: os pardais de barro animados no sábado, as maldições e curas dos companheiros, os mestres confundidos por sua sabedoria e o reencontro no templo. Não confundir com o gnóstico Evangelho de Tomé, dos ditos
O mestre Zaqueu se confessa vencido pela sabedoria do menino
E quando o mestre Zaqueu ouviu o menino falar tantas e tão grandes alegorias acerca da primeira letra, ficou totalmente perplexo diante de tal exposição e de tal ensino.
E ele disse aos que estavam presentes: Ai de mim! Desgraçado que sou, estou perplexo, cobrindo-me de vergonha por ter arrastado este menino para cá.
Leva-o embora, então, eu te suplico, irmão José. Não consigo suportar a severidade do seu olhar; não consigo de modo algum compreender o que ele quer dizer.
Este menino não pertence a esta terra; ele é capaz de domar até mesmo o fogo. Com certeza ele nasceu antes da criação do mundo.
Que tipo de ventre o gerou, que tipo de seio o nutriu, eu não sei. Ai de mim! Meu amigo, ele me arrebatou; não consigo alcançar o seu sentido. Três vezes desgraçado que sou, eu me enganei a mim mesmo.
Esforcei-me por ter um aluno, e descobri que tinha um mestre. Minha mente está cheia de vergonha, meus amigos, porque eu, um homem velho, fui vencido por uma criança.
Não me resta nada além de desânimo e morte por causa deste menino, pois não sou capaz neste momento de olhá-lo de frente; e quando todos dizem que fui derrotado por uma criancinha, o que posso eu dizer?
E como posso eu dar conta das linhas da primeira letra sobre as quais ele falou? Não sei, ó meus amigos, pois não consigo encontrar nele nem começo nem fim.
Por isso, eu te suplico, irmão José, leva-o para casa. Que grande coisa ele seja, ou deus ou anjo, ou o que eu deva dizer, eu não sei.