Atos de Pedro 2
Romance apócrifo do séc. II: o confronto de Pedro com Simão o Mago em Roma e seu martírio (o episódio Quo Vadis e a crucificação invertida)
A filha do jardineiro
[O texto a seguir, citado na Epístola de Tito, preserva a substância da história a que Agostinho alude: a filha de um jardineiro que morreu mediante a oração de Pedro.]
Certo jardineiro tinha uma filha, virgem, a única filha de seu pai. Ele rogou a Pedro que orasse por ela. Diante de seu pedido, o apóstolo lhe respondeu que o Senhor lhe daria aquilo que fosse útil para a sua alma. Imediatamente a moça caiu morta.
Ó ganho digno e próprio de Deus, escapar da insolência da carne e mortificar a soberba do sangue! Mas aquele velho, sem fé, e não conhecendo a grandeza do favor celestial, ignorante do benefício divino, suplicou a Pedro que a sua única filha fosse ressuscitada. E, quando ela foi ressuscitada, poucos dias depois, como se fosse hoje, o escravo de um crente que se hospedava na casa lançou-se sobre ela e arruinou a moça, e ambos desapareceram.
Sobre não se dever pranear demais os mortos, Pedro, falando a alguém que lamentava sem paciência a perda de sua filha, disse: De tantos assaltos do diabo, de tantas guerras do corpo, de tantos desastres do mundo ela escapou, e você derrama lágrimas como se não soubesse o que sofre em si mesmo (que bem lhe sobreveio).