Capítulos
Atos de Filipe
Autoria e Data de Composição
Os Atos de Filipe são uma obra anônima e tardia. A forma que chegou até nós é geralmente datada do século IV, mais tarde que os grandes Atos apócrifos anteriores, como os de João, Paulo e Pedro. O texto é compósito. Ele reúne blocos narrativos de origens distintas, costurados em torno da figura do apóstolo Filipe. A composição parece ter nascido na Ásia Menor, na região da Frígia, onde o culto a Filipe era forte. A obra reflete um ambiente de acentuado encratismo, com ênfase na castidade, no jejum e na renúncia ao mundo. Não há base para atribuir o escrito a uma testemunha ocular nem ao próprio apóstolo.
Conteúdo Principal
- A chegada a Hierápolis e o confronto com o dragão — (Atos de Filipe 1)
- Nicanora, esposa do procônsul, e a fúria do tirano — (Atos de Filipe 2)
- A tortura dos apóstolos, a vinda de João e o abismo — (Atos de Filipe 3)
- A aparição do Senhor e o martírio de Filipe — (Atos de Filipe 4)
- Filipe na Alta Hélade e os filósofos de Atenas — (Atos de Filipe 5)
- Ananias, o sumo sacerdote, e a vitória em Atenas — (Atos de Filipe 6)
- Adição aos Atos de Filipe, segundo o manuscrito de Paris — (Atos de Filipe 7)
Hierápolis e o culto à serpente
Prisão e martírio
Os atos na Hélade
Adição
A Narrativa
A obra narra a missão de Filipe em Hierápolis, na Frígia, na companhia de sua irmã Mariamme e do apóstolo Bartolomeu. O centro do enredo é o confronto com um culto local à serpente, descrita como dragão ou víbora. A conversão de Nicanora, esposa do procônsul, desencadeia a fúria das autoridades. Filipe, Bartolomeu e Mariamme são presos e torturados. A tradição que sobreviveu nesta forma termina com o martírio de Filipe, pendurado e crucificado de cabeça para baixo. As seções finais transferem a ação para a Hélade, com debates contra os filósofos de Atenas.
Transmissão do Texto
Os Atos de Filipe sobreviveram de forma fragmentária. Por muito tempo vários atos foram tidos por perdidos. No fim do século XX, um manuscrito do Monte Athos, conhecido como Xenophontos 32, estudado sobretudo por François Bovon, recuperou atos antes desconhecidos e ampliou bastante o texto disponível. Essa edição crítica moderna, porém, é protegida por direitos. A tradução usada aqui é a de Alexander Walker, publicada na coleção Ante-Nicene Fathers no século XIX e em domínio público. Por isso ela é parcial e cobre apenas os atos conhecidos naquela época, não o material recuperado depois no Monte Athos.
Valor Histórico
Como fonte sobre o Filipe histórico, a obra tem valor reduzido. Por ser tardia, compósita e fragmentária, ela diz mais sobre a piedade e as ideias das comunidades cristãs da Ásia Menor nos séculos seguintes do que sobre os fatos da vida do apóstolo. Seu interesse principal é literário e histórico-religioso. Ela ilustra como cresceram as lendas apostólicas, a circulação de motivos como o combate ao dragão, e a força das correntes encratitas no cristianismo antigo.