Apocalipse de Paulo 6
Apocalipse cristão (séc. IV, recensão latina longa, conhecido como Visio Pauli) em que Paulo, arrebatado ao terceiro céu, é levado por um anjo num tour pelo além: a criação clama contra os pecadores, os anjos relatam as obras dos homens, e Paulo vê a morte das almas, a terra da promessa, os castigos do inferno e o paraíso dos patriarcas. Foi uma das maiores influências sobre a Divina Comédia de Dante
E vi, ao norte, um lugar de castigos vários e diversos, cheio de homens e mulheres, e um rio de fogo descia para dentro dele. Observei e vi poços de grande profundidade, e neles muitas almas amontoadas, e a profundidade daquele lugar era de cerca de três mil côvados. Vi essas almas gemendo, chorando e dizendo: Tem piedade de nós, ó Senhor! E ninguém tinha piedade delas. Perguntei ao anjo: Quem são estes, senhor? E o anjo me respondeu: São os que não esperaram no Senhor, que não confiaram que poderiam tê-lo como auxiliador. Então perguntei: Senhor, se essas almas ficarem por trinta ou quarenta gerações assim amontoadas umas sobre as outras, e se forem lançadas mais fundo, acredito que os poços não as conteriam. E ele me disse: O Abismo não tem medida, pois além deste ponto ele se estende para baixo, abaixo de quem já está no fundo dele. É assim: se alguém pegasse uma pedra e a jogasse num poço muito profundo, ela só chegaria ao fundo depois de muitas horas. Assim é o abismo. Pois quando as almas são lançadas lá dentro, mal alcançam o fundo em cinquenta anos.