Capítulos
Filipenses
Autoria e Data de Composição
Filipenses é amplamente aceita como autenticamente paulina. Paulo se identifica no início (fp1:1), e a carta é confirmada como paulina por Policarpo de Esmirna já no início do século II. O estilo, o vocabulário e o conteúdo teológico são consistentes com as demais cartas reconhecidas de Paulo. Não há contestação relevante à autoria na crítica moderna.
Filipenses pertence ao grupo das chamadas "Cartas da Prisão" (junto com Efésios, Colossenses e Filêmon). O local do cativeiro de Paulo ao escrever é debatido: a tradição aponta Roma, por volta de 60 a 62 d.C.; outros estudiosos propõem Éfeso (por volta de 55 d.C.) ou Cesareia. O debate importa porque afeta a cronologia das cartas paulinas, mas não há evidências conclusivas para fixar o local com certeza.
O Hino Cristológico de Fp 2:6-11
O trecho fp2:6-11 é amplamente reconhecido pelos estudiosos como um hino pré-paulino: Paulo o teria citado, não composto. Sua estrutura poética, vocabulário particular (termos como morphe e harpagmon) e o ritmo sugerem uma composição litúrgica anterior à carta.
O hino descreve a kenose (esvaziamento): Cristo, subsistindo em forma de Deus, não se apegou à igualdade com Deus, mas se humilhou, assumindo forma de servo, tornando-se obediente até a morte de cruz. Em resposta, Deus o exaltou e lhe deu o nome acima de todo nome. Esse texto é um dos mais debatidos do Novo Testamento no que diz respeito à cristologia das origens cristãs.
Manuscritos
Data dos manuscritos mais antigos: cerca de 200 d.C.
Filipenses está presente no Papiro Chester Beatty P46 (cerca de 200 d.C.). Manuscritos do século III também atestam o texto. Os grandes códices Sinaítico, Vaticano e Alexandrino incluem a carta com poucas variantes textuais significativas.
Conteúdo Principal
- Saudação de Paulo e Timóteo à comunidade de Filipos, incluindo bispos e diáconos — (Fp 1:1)
- Ação de graças pela comunhão dos filipenses no evangelho desde o primeiro dia — (Fp 1:3)
- Paulo relata que seu cativeiro serviu para o avanço do evangelho no pretório — (Fp 1:12)
- "Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro": dilema entre vida e morte — (Fp 1:21)
- Exortação à unidade e à humildade, tendo a mente de Cristo como modelo — (Fp 2:1)
- Hino cristológico: preexistência, kenose (esvaziamento), encarnação, morte e exaltação de Cristo — (Fp 2:6)
- "Trabalhai pela vossa salvação com temor e tremor"; Deus age no crente — (Fp 2:12)
- Planos de enviar Timóteo e Epafrodito aos filipenses — (Fp 2:19)
- Advertência contra os "cães", os que exigem circuncisão; Paulo enumera suas credenciais judaicas — (Fp 3:1)
- Tudo que era ganho Paulo considera perda diante do conhecimento de Cristo — (Fp 3:7)
- Paulo como corredor que busca o alvo: a ressurreição dos mortos — (Fp 3:12)
- "Nossa cidadania está nos céus"; esperança da transformação do corpo terreno — (Fp 3:20)
- "Alegrai-vos sempre no Senhor"; paz de Deus que excede todo entendimento — (Fp 4:4)
- Pensar no que é verdadeiro, honesto, justo e puro — (Fp 4:8)
- Paulo agradece o apoio financeiro dos filipenses; aprendeu a contentar-se em toda situação — (Fp 4:10)
Saudação e Ação de Graças
Hino Cristológico e Exortação à Humildade
Advertência e Conhecimento de Cristo
Exortações Finais e Gratidão
Contexto Histórico
Filipos era uma colônia romana na Macedônia, fundada por Filipe II e reformada por Augusto. Paulo a evangelizou durante a segunda viagem missionária (por volta de 49 a 51 d.C.), conforme At 16. A comunidade de Filipos manteve relação especial com Paulo, sendo a única que ele aceitou receber apoio financeiro (fp4:15-16). A carta tem tom notavelmente caloroso e pessoal, com a palavra "alegria" ou cognatos aparecendo mais de quinze vezes em quatro capítulos.