Capítulos

Colossenses

Autoria e Data de Composição

A autoria de Colossenses é um dos debates mais ativos da crítica neotestamentária. A carta se apresenta como escrita por Paulo (cl1:1), e essa atribuição foi aceita até o século XIX sem questionamento relevante. Em 1838, E. T. Mayerhoff foi o primeiro a contestar sistematicamente a autoria paulina, apontando pensamentos não paulinos e dependência de Efésios. Desde então, o debate não se encerrou.

Os principais argumentos contra a autoria paulina direta incluem: cerca de 34 palavras em Colossenses que não aparecem em nenhum outro lugar do Novo Testamento (hapax legomena), além de 28 palavras presentes no NT mas ausentes das cartas paulinas indiscutidas; uma cristologia mais elevada e desenvolvida; e forte semelhança com Efésios, que leva à hipótese de dependência entre as duas cartas. Uma parcela significativa dos pesquisadores modernos classifica Colossenses como deutero-paulina, escrita por um discípulo de Paulo, possivelmente na década de 80 d.C., embora o debate permaneça aberto.

Os que defendem a autoria paulina argumentam que as diferenças refletem a particularidade da crise em Colossos e o uso de um secretário (possivelmente Timóteo). Se genuína, a carta teria sido escrita durante o cativeiro romano, por volta de 60 a 62 d.C.. A questão permanece sem resolução.

Manuscritos

Data dos manuscritos mais antigos: cerca de 200 d.C.

Colossenses está presente no Papiro Chester Beatty P46 (cerca de 200 d.C.). Aparece também nos grandes códices Sinaítico, Vaticano e Alexandrino (séculos IV e V). O cânon de Marcião (meados do século II) inclui Colossenses em seu Apostolikon, evidência de circulação ampla desde cedo.

Conteúdo Principal

    Saudação e Ação de Graças

  • Saudação de Paulo e Timóteo à Igreja de Colossos(Cl 1:1)
  • Ação de graças pela fé, amor e esperança dos colossenses; fruto do evangelho no mundo inteiro(Cl 1:3)
  • Hino Cristológico e Reconciliação

  • Hino a Cristo: imagem do Deus invisível, primogênito de toda criação, cabeça do corpo que é a Igreja(Cl 1:15)
  • Reconciliação dos colossenses com Deus por meio da morte de Cristo(Cl 1:21)
  • Paulo completa em sua carne o que falta às tribulações de Cristo; o mistério revelado aos gentios(Cl 1:24)
  • Advertência contra a "Filosofia" Falsa

  • Exortação a permanecer enraizado em Cristo; alerta contra a filosofia vazia e as tradições humanas(Cl 2:6)
  • Contra os que buscam os elementos do mundo e não a Cristo, cabeça de todo principado e potestade(Cl 2:8)
  • Ninguém deve julgar quanto a alimentos, festas, luas novas ou sábados: sombras do que havia de vir(Cl 2:16)
  • Crítica à ascese e ao culto de anjos; regras humanas sem valor para conter a carne(Cl 2:20)
  • Vida Nova em Cristo

  • Ressuscitados com Cristo: buscar as coisas do alto, pôr a morte os vícios terrenos(Cl 3:1)
  • Revestir o homem novo: não há grego nem judeu, circunciso nem incircunciso; Cristo é tudo em todos(Cl 3:10)
  • Código doméstico: esposas e maridos, pais e filhos, escravos e senhores(Cl 3:18)
  • Exortações Finais

  • Perseverança na oração; abertura de portas para o mistério de Cristo(Cl 4:2)
  • Recomendação de Tíquico e Onésimo; saudações de Marcos, Lucas e outros colaboradores(Cl 4:7)

A "Heresia de Colossos"

A carta combate um ensino que a crítica chama de "heresia colossense", embora o termo seja anacrônico. O adversário não é nomeado, mas os temas atacados incluem: culto a anjos, observância de calendários e restrições alimentares, práticas ascéticas e ênfase em "visões". Alguns estudiosos identificam um sincretismo judaico-pagão; outros veem traços de um proto-gnosticismo. Nenhuma identificação precisa obteve consenso.