As Três Pessoas São Distintas

Distintas, não a mesma pessoa em modos diferentes

Um erro antigo, chamado modalismo, dizia que Pai, Filho e Espírito eram apenas três modos ou máscaras de uma única pessoa. A leitura trinitária responde com os muitos textos em que as três pessoas aparecem se relacionando entre si: uma fala com a outra, uma envia a outra, uma testemunha a favor da outra. Isso só faz sentido se forem distintas.

O Pai não é o Filho

O Filho é apresentado como alguém em relação com o Pai: o Pai declara do céu "este é o meu Filho amado", e o Filho ora a ele, fala de "outro" que dá testemunho dele e entrega o próprio espírito ao Pai na cruz. Há sempre dois interlocutores, não um falando consigo mesmo.

1 Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus;

11 E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo.

19 Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

26 E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.

12 E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.

32 outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele de mim é verdadeiro.

17 E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18 Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.

42 Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.

28 Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;

23 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.

46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

O Filho não é o Espírito Santo

Jesus promete enviar "outro Consolador" e diz que vai embora justamente para que o Espírito venha. Quem envia e quem é enviado não são a mesma pessoa.

16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;

17 O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.

26 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.

7 Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.

32 E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.

O Pai não é o Espírito Santo

O Pai envia o Espírito em nome do Filho, e o Espírito, depois da ascensão, é derramado por Cristo. São papéis distintos dentro da mesma cena.

26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

33 De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.

Para a leitura trinitária, esse conjunto é o que impede tanto o modalismo (que apaga a distinção) quanto o triteísmo (que separaria em três deuses). As pessoas são distintas, mas o monoteísmo é mantido: um só Deus, três que se relacionam.