Para a Igreja Católica, Enoque é apócrifo
A posição católica é clara: o Livro de Enoque não faz parte da Bíblia. Ele não está entre os livros canônicos nem entre os sete deuterocanônicos que a Igreja Católica reconhece como Escritura (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois Macabeus). Enoque é classificado como apócrifo, isto é, um escrito religioso antigo que a Igreja não tem como inspirado nem normativo para a fé.
Isso não significa que a Igreja o despreze ou o proíba. O Catecismo e os estudos bíblicos católicos reconhecem o valor de Enoque como documento histórico, fundamental para entender o judaísmo do Segundo Templo, o ambiente em que o cristianismo nasceu. A Pontifícia Comissão Bíblica trata a literatura intertestamentária, incluindo Enoque, como contexto importante para a interpretação do Novo Testamento. O livro é fonte, não Escritura.
As quatro posições lado a lado
A pergunta "o que a Igreja diz sobre Enoque" tem respostas diferentes conforme a Igreja. O caso de Enoque é, aliás, o exemplo mais nítido de que "estar na Bíblia" depende de qual tradição decide:
| Tradição | Status de 1 Enoque |
|---|---|
| Católica | Apócrifo; valioso como história, não como Escritura |
| Protestante | Apócrifo; fora do cânon |
| Ortodoxa (grega, russa) | Não canônico, mas lido com respeito |
| Ortodoxa Etíope Tewahedo | Plenamente canônico, Escritura até hoje |
A Igreja Ortodoxa Etíope é a única no mundo que mantém 1 Enoque dentro da sua Bíblia, posição que herdou pelo canal alexandrino e preservou ao longo dos séculos. Para todas as demais grandes tradições cristãs, ocidentais e orientais, Enoque ficou de fora. O mesmo texto é, portanto, Escritura em Adis Abeba e apócrifo em Roma.